Jill Castilho

Arquiteto e escritor


Do que realmente precisamos?!

Por: Jill Castilho
06/10/2019 às 18:49
Jill Castilho

Um dia onde tudo deu errado, você brigou com o chefe ou descobriu que seu pai está muito doente ou até mesmo que você acha que não dará conta de todos os afazeres e papéis que desempenha durante o dia... depois de "um dia daqueles”, onde o que quer é só chegar em casa e deitar na cama, mas se lembra que não pode. Esqueceu dos seres iluminados que necessitam da sua atenção e carinho?!

Você entra na garagem da sua casa pensando em como encarar agora os trabalhos domésticos e conciliar a atenção para seus filhos. Aí, você abre a porta de casa e encontra lindos sorrisos, querendo lhe dizer com o brilho nos olhos "Eba, você chegou, esperamos o dia todo, pra nos aconchegar no seu colo, sentir seu cheiro e dizer que te amo.”Pronto tudo fica pra trás, larga tudo e se joga em seus colos. PERAÍ, não é assim que fazemos, é o que desejamos. Nem sempre percebemos estes brilhinhos nos olhos deles, pois a rotina nos suga, nos traga para o seu mundo determinado pelo tempo e obrigações, como se não pudéssemos escolher.

Então você ignora os beijos e abraços acolhedores de seus filhos e segue pensando que tem que colocar roupas para lavar, que os uniformes de escola estão sujos e não vai dar tempo de secar, dá um beijo neles, mal ouve-os falarem como foi o dia deles, segue direto para a lavanderia, pega as roupas, coloca-as para lavar, enquanto a máquina de lavar funciona, você já apronta o jantar, enquanto isso, um ou outro pede sua atenção, ou ajuda para fazer algo, e você incansável continua na sua rotina implacável que impede de vivenciar algo simples, como a descoberta do alfabeto por seu filho.

Assim as crianças desistem de chamar sua atenção e vão para a televisão. Logo depois, você coloca o jantar na mesa, todos vêm comer, começa um bom diálogo, o primeiro depois de quase duas horas de sua chegada, diálogo como, "pai minha professora disse que amanhã tem reunião”, ou "meu colega me bateu” ou "Nossa!!! No abrigo de domingo comíamos coisas gostosas, só nos domingos tinha salgadinho, bolo... era gostoso!!!”. Aí você pergunta o que mais eles gostavam de lá. E um de seus filhos responde: "Gostava quando saía pra passear”, neste instante você leva o primeiro chute no estomago. Mesmo assim continua perguntando o que ele não gostava de lá. E a resposta vem sem titubear, "De não ter uma família, pai. Pedia todo dia pra ter uma família”, segundo chute, agora no seu coração, se não bastasse, você quase nocauteado de emoção, logo em seguida seu outro filho diz que depois de vocês se conhecerem, antes da assinatura da guarda, achava que não voltaríamos para levá-los para seu novo lar, então disse "ficava perguntando pras tias do abrigo, mas eles vão voltar mesmo?!”.

Neste momento, meus olhos enchem de lágrimas, engulo seco a comida, sem sentir ou lembrar o que estou jantando, tento não chorar... a vontade de sair gritando ou berrando, esta presente em meu olhar, mas não posso demonstrar, sigo firme tentando continuar o diálogo e continuo a engolir, pensando porque não paramos o mundo e a rotina para fazer o que realmente importa neste mundo, que é Amar. Ali percebo que precisamos nesta vida é de muito pouco para sermos felizes”

E você segue seu jantar e continua o diálogo familiar, mas algo mudou, pois vê que nem sempre pode modificar a sua vida doida, porém pode olhar um pouco mais para os seus filhos e suas reais necessidades, Amor, Carinho e Atenção, somente isso, nenhum brinquedo, nenhum tablet substitui o seu toque, o seu olhar para a criança e o aconchego do seu colo.






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