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Foto por: Prefeitura de Rio Preto
Testagem em massa feita pela Prefeitura no Calçadão

Rio Preto é a 2ª cidade em mortes por 100 mil habitantes e a 3ª com mais casos de Covid

Por: Fabrício Carareto, com informações da Folhapress
26/11/2020 às 09:30
Saúde

Município ultrapassou São Bernardo do Campo em número de infectados no Estado e só perde para São Paulo e Campinas


Dados da Secretaria do Estado da Saúde revelam que a Covid em Rio Preto continua em alta em Rio Preto, em comparação com as demais cidades do Estado.

A cidade ultrapassou São Bernardo do Campo e é a terceira com mais casos da doença no Estado, chegando a 29.468. Já São Bernardo do Campo tem 29.007. As cidades com mais contaminados são São Paulo (345.445) e Campinas (36.319).

Já em relação ao número de mortes por 100 mil habitantes, Rio Preto aparece na segunda colocação - 168 óbitos -, atrás apenas de Santos - 176. Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes aparecem ainda no ranking Ribeirão Preto (124), São Bernardo do Campo (121), Campinas (115), Guarulhos (115) e São Paulo (112). São, de acordo com o Estado, 783 mortes em Rio Preto até o momento.

Em relação à letalidade, Rio Preto tem 2,7%, abaixo de cidades como São Paulo (4,1%), Campinas (3,8%), São Bernardo do Campo (3,5%), Campinas (3,3%) e Santos (2,8%).

Discrepância e inquérito
A reportagem do DLNews constatou uma discrepância entre os números de casos e de mortes divulgados pelo Estado e pela Secretaria de Saúde de Rio Preto. Dados da pasta atualizados nesta quinta-feira (26) mostram a cidade com 28.991 contaminados, 477 a menos que o divulgado pelo Estado. 

De acordo com o secretário de Saúde, Aldenis Borim, a diferença é relativa aos dados do inquérito sorológico realizado em Rio Preto com 26 mil pessoas, que testou a população assintomática. Ele afirma que o estudo deverá ser concluído e divulgado na íntegra dentro de 15 dias, mas os casos positivos preliminares devem obrigatoriamente ser repassados ao Estado. 

Já sobre o fato de Rio Preto estar em 2º no número de mortes por 100 mil habitantes, Borim afirma que este índice "não serve pra nada". "Muitos municípios colocam asma, insuficiência respiratória, pneumonia e não computam (a Covid). O que conta mesmo é o índice de letalidade, esse sim depende do número de testagem. Se você testa muito, você sabe definitivamente que aquele paciente morreu de Covid. E o nosso é 2,7%, muito abaixo da maioria das cidades. É isso o que importa pra gente", afirmou o secretário. "Já testamos quase um terço da população, enquanto muitas cidades não testaram nem 10%".


Dados da Secretaria do Estado de São Paulo desta quarta-feira (25)

Endurecimento
Com uma alta na taxa de transmissão do coronavírus e nas internações no estado de São Paulo, o centro de contingência vai propor ao governo João Doria (PSDB) que volte a endurecer as medidas de isolamento social.

Parte do grupo defende que todo o estado volte ao estágio amarelo, que permite a abertura de estabelecimentos mas limita o horário - a região de Rio Preto, porém, já está no amarelo. A proposta será apresentada a Doria nesta quinta (26).

O volume de pessoas internadas com Covid em UTIs no estado cresceu 22%, comparando esta quarta (25) com duas semanas atrás, segundo dados da Secretaria de Saúde de São Paulo.

O aumento foi ainda mais forte se considerada apenas a Grande São Paulo (30%). São 2.400 pessoas internadas em UTIs nessa região (o dado do governo considera média dos últimos sete dias).

A pasta informou que o problema na base do Ministério da Saúde no começo do mês, quando dados de novos casos e mortes não foram inseridos, não prejudicou a informação sobre internações.

Hoje, 76% dos municípios paulistas, inclusive a capital, estão na fase verde do Plano SP, que prevê reabertura controlada de quase todas as atividades, inclusive cinemas e teatros.

Em 16 das 22 subregiões do estado, o índice de contágio (RT), que aponta quantas pessoas serão contaminadas por um infectado e ajuda a estimar a velocidade de transmissão da doença, está acima de 1. O número deve estar sempre abaixo 1 para que a tendência de queda de casos se mantenha.

Nas regiões paulistas de Registro e Presidente Prudente, o RT está em 2,1 e 2,04, respectivamente. Na capital, em 1,55.

Os dados são do projeto InfoTracker, da USP e da Unesp, que monitora a pandemia no estado desde seu início. A plataforma fez um ajuste dos dias que ficaram sem atualização pelo Ministério da Saúde para mitigar o problema da notificação tardia.

Segundo o epidemiologista Paulo Menezes, professor do departamento de saúde preventiva da USP e que integra o centro de contingência, a situação é muito preocupante e se agravou na última semana.

"Houve um aumento importante da transmissão do vírus e isso agora reflete no número de casos e de internações. Óbitos levam mais tempo para aparecer.”

Para Menezes, apesar de o estado estar com taxas de ocupação de UTI inferiores a 50%, é fundamental que se interrompa a transmissão do vírus nesse momento.

"A sociedade, especialmente os adultos jovens, entendeu que o [estágio] verde é sinal verde para poder fazer o que quiser, ir a bares, baladas, festas familiares. E o reflexo foi rápido”, diz Menezes.

Na capital, das 811 pessoas internadas em hospitais municipais e contratados pela prefeitura até terça (24), 451 estavam em terapia intensiva —240, em ventilação mecânica. A taxa de ocupação de UTIs está em 47%.

"O aumento de casos começa a ’dar as caras’ também no interior paulista. A impressão é que estão se espalhando da capital e Grande SP para o resto do estado”, afirma Wallace Casaca, professor da Unesp e coordenador do InfoTracker.

Segundo Casaca, esse aumento do contágio pode ser reflexo da combinação de três fatores: uma flexibilização "muito rápida” dos planos de retomada econômica, o não cumprimento das medidas básicas sanitárias por parte da população, e o período eleitoral, que acabou levando a aglomerações.

Menezes também aposta no relaxamento da população em relação à quarentena e às campanhas eleitorais, especialmente para vereadores. "Envolveram muito contato direto, muitas pessoas aglomeradas.”

No Brasil, todas as regiões estão com taxas de contágio do coronavírus acima de 1. No país como um todo, o RT está em 1,54 e já apresenta aumento em relação à taxa de 1,30 projetada pelo Imperial College de Londres, que levou em conta dados epidemiológicos até o dia 16.

A falta de testagem massiva, em especial para tentar identificar os casos suspeitos, também é vista como outro fator importante para o aumento de casos.

"Se eu não testo, incluindo não testar os casos mais leves, não consigo determinar os focos da doença. E essas pessoas transmitem para outras”, diz Casaca.

Segundo ele, muitas prefeituras têm optado em não testar os casos mais leves, preferindo só orientar essas pessoas a se manter em quarentena.

Para Suzana Lobo, presidente da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), o aumento de casos e internações também causa outra preocupação: o esgotamento dos profissionais de saúde.

"Está todo mundo querendo sair de férias. O pessoal não descansou e tudo começa a voltar de novo. Na primeira onda, estava todo mundo pronto para a guerra. Agora, está todo mundo meio combalido, não sabemos de onde vamos tirar forças, mas vamos ter que tirar.”

Em nota, o CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) do governo paulista diz que desconhece o denominador e a metodologia utilizados pelo Infotracker para cálculo de RT e, portanto, não comentaria o dado.

O CVE argumenta que a RT não é um indicador epidemiológico capaz de refletir isoladamente a circulação do coronavírus, nem o impacto efetivo da pandemia no estado, uma vez que o monitoramento e análise devem ser multifatoriais.

"Isso é feito no estado por meio do Plano de São Paulo, com sete indicadores diferentes, combinados de forma coerente para análise da capacidade de resposta do sistema de saúde e a evolução da pandemia e, consequentemente, classificação conforme as fases do plano.”

Lembra que o próprio governo de São Paulo já noticiou, com total transparência, o aumento de internações de Covid-19, e segue monitorando a rede de saúde para tomada de decisão com base na ciência e na saúde.







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