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CRÍTICA: Por que ‘O Poderoso Chefão’ é uma obra-prima?

Por: Miguel Flauzino
29/01/2021 às 15:19
Cultura e Diversão

Aviso: para os que já viram o filme, a leitura irá enriquecer sua experiência. Para os que não viram eu tenho dois recados. Primeiro: leia este texto. Segundo: depois de ler, vá imediatamente na Netflix conferir. Imediatamente!


Tive a liberdade de escrever este texto depois que revi a primeira produção de ‘O Poderoso Chefão’ de 1972 por esses dias. Percebi que, após as quase 3 horas de filme, me peguei refletindo sobre a perfeição executada por Coppola (diretor), juntamente com as atuações marcantes de Brando (Vito Corleone), Pacino (Michael Corleone), entre outros.

Devo começar destacando questões perceptíveis para cinéfilos, críticos e amantes do cinema. O mais interessante é compreender que Coppola dispõe de uma excelência visual brilhante. É fascinante notar que o diretor soube se preocupar com os mínimos detalhes, desde os figurinos e cenários até enquadramentos, atuações, entre outras coisas. Um exemplo perfeito baseado no figurino são os estados emocionais e espirituais, digamos assim, da Kay. No início da história presenciamos a moça vestindo cores vibrantes e fortes, como vermelho/laranja, mas conforme seu envolvimento com a família Corleone vai aumentando, essas cores vão sumindo gradativamente, refletindo que sua verdadeira essência começa a sumir diante do seu envolvimento com os italianos.

Do mesmo modo, as cores escuras e frias sempre marcam presença na família protagonista. Com uma sala sombria fundida a roupas que não passam do marrom, notamos o espírito imundo dos Corleone, que mesmo sendo "ofuscados” pelo roteiro, não negam sua maldade na estética.

Obviamente que não poderia deixar de citar as incríveis atuações. Em ‘O Poderoso Chefão’ a direção foi algo crucial para o resultado do filme. Marlon Brando possuía um modo de atuação diferente dos demais atores da época. Para ele, qualquer objeto de cena poderia ser utilizado a seu favor e, além disso, Brando era do estilo que, quando entrava no personagem, só saía após as luzes do set se apagarem. Coppola compreendeu o ator que tinha em mãos e deu mais liberdade. O resultado, claramente, está hoje refletido em inúmeros lugares. A bochecha torta, a voz rouca, o vilão com o gato, entre outros. Inúmeros vilões e elementos "vilanescos” se basearam em Don Vito Corleone, e estas referências permeiam nossos cinemas e produções até nos dias de hoje – e sinceramente, acredito que nunca vão nos abandonar.

Não tem como deixar de citar o futuro chefe da família: Michael Corleone. Al Pacino entrega um personagem extremamente intrigante quando sua frieza instiga a dúvida constantemente no espectador sobre suas decisões. A incerteza do que ele pode ou é capaz de fazer rodeia nossas mentes, causando, automaticamente, aflições que alimentam a trama. E isto também se deve a belíssima linguagem que Coppola implementa. A presença física, principalmente de Vito e Michael, já oferecem um ar de tensão, isto sem mostrar qualquer atitude ou ato "brutal” dos dois. Juntamente a esta imponência, a escuridão presente no olhar dos personagens quando apresentam uma posição de "ataque”, é um mérito sensacional da direção de fotografia, que apesar de transpirar uma mensagem sucinta, é brilhante quando percebida.

Talvez você esteja lendo este texto e imaginando que ‘O Poderoso Chefão’ é um filme complexo ou que, através de tanta informação, visualmente fique confuso ou cansativo. Mas não! Este filme me fascina ainda mais quando percebo que qualquer pessoa consegue se divertir e passar belas 3 horas apreciando um presente único. E não importa quantas vezes você veja, sempre há algo novo para ser notado, falado e até apreciado.

Talvez, também, você esteja pensando que estou puxando muita sardinha para esta obra. Mas poxa, é Francis Coppola… É Marlon Brando… É Al Pacino… É ‘O Poderoso Chefão’.

Bônus: se notar que há uma laranja em cena, se prepare que a probabilidade de escorrer sangue é grande. 

Foto por: Reprodução
Miguel Flauzino é estudante de jornalismo, criador e diretor do estúdio Verona e apaixonado pela Sétima Arte






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