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Foto por: Reprodução
omo de costume, a Pixar nos presenteia com uma estética absurdamente linda e excelente

CRÍTICA: ‘Soul’, da Disney/Pixar, traz reflexão linda sobre o propósito da vida

Por: Miguel Flauzino
02/01/2021 às 17:38
Cultura e Diversão

Joe é um professor de música que desde pequeno tinha o sonho de se tornar um pianista profissional de jazz


De fato, um propósito de vida nos movimenta incansavelmente, independente das circunstâncias ou até mesmo das opiniões. Mas e aqueles que ainda não descobriram sua verdadeira missão? O viver já basta quando percebemos que a vida nos proporciona oportunidades todos os dias. Perceber essas opções nos faz acreditar que sempre há esperança no amanhã.

Joe é um professor de música que desde pequeno tinha o sonho de se tornar um pianista profissional de jazz. Depois de literalmente morrer, ele é mandado para o mundo das almas, onde encontra a 22, uma alma que ainda não encontrou sua missão. Agora ele deve mentoriar ela para seu propósito.

Dirigido por Peter Docter (‘Divertida Mente’ e ‘Monstros S.A.’), o longa nada mais é do que uma versão 2.0 do brilhante ‘Divertida Mente’. A diferença, claramente, seriam seus universos; enquanto no filme de 2015 nos é apresentado a personificação de sentimentos humanos, aqui encontramos um mundo onde existem as almas em seu estado pré e pós vida.

Neste mundo encontramos justificativas para tudo. As personalidades de cada alma, os estilos, jeitos, vocações e até mesmo aquelas que se perderam no mundo material mentalmente – típico do "veio só o corpo, porque a cabeça esqueceu”. Essas apresentações dispõem de uma fluidez gostosa e competente, já que cada descoberta é imprevisível e tira um sorrisinho do espectador. E falando em sorriso, o roteiro possui momentos de comédia sensacionais.

Como de costume, a Pixar nos presenteia com uma estética absurdamente linda e excelente, além de uma história graciosa. Percebe-se o suor refletindo a luz, os fiapos das roupas, as camisetas amarrotadas, as rachaduras nas paredes, as pequenas falhas de giz na lousa, entre outras coisas. A movimentação e expressão dos personagens também disponibilizam uma competência sensacional.

A flexibilidade dos seres unidimensionais – que parecem ser uma mistura de 2D com 3D e claramente inspirados nas obras de Picasso – trazem uma naturalidade convincente; as ações dos músicos pelas mãos também representam de fato um trabalho bem feito, já que percebemos as notas sendo executadas exatamente com a música exibida.

Todavia, nesta produção o público infantil certamente é praticamente descartado, uma vez que as alternativas narrativas juntamente as reflexões vão fugir completamente da compreensão dos pequenos. Não somente isso, a escolha do jazz, por exemplo, também comprova essa complexidade para as crianças e até mesmo certos times de humor. Isto não é uma crítica, já que o público de ‘Soul’ parece necessitar ter mais que 18 anos.

Devo destacar também as belíssimas direções de arte e fotografia, que transmitiram a pureza e inocência através das paletas azuladas, roxas e rosas. Paralelamente a uma Nova York extremamente realista com tons bejes e marrons que destacam as peles dos personagens. Há também, um plano simples, mas ímpar, em que vemos Joe em frente ao salão onde sua noite será realizada, mas que logo percebemos a minúscula entrada fundida às paredes bejes, que refletem o quão simples e pequeno seria seu suposto sonho.

‘Soul’ é mais um filme do jeito Pixar de ser. Graciosa, competente, bela, reflexiva e linda. Se não há propósito, não significa que não há motivo para continuar vivendo. Porque a vida já nos proporciona oportunidades diferentes todos os dias.

 "E se admirar o céu fosse minha missão?”, disse a 22.
"Isso não é propósito ou missão, isso é viver”, respondeu Joe.
O filme está disponível na Disney+.

Nota: 4/5 (Ótimo)









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