Dom Tomé Ferreira da Silva

Bispo diocesano de Rio Preto


Não andar a esmo, o Espírito Santo conduz a Igreja

Por: Dom Tomé Ferreira da Silva
29/09/2019 às 09:02
Dom Tomé Ferreira da Silva

A Diocese de São José do Rio Preto constrói o seu oitavo Plano Diocesano de Pastoral, à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. É um processo de revisão, de escuta e de prospecção, realizado sob a iluminação do Divino Espírito Santo e em unidade com a Igreja presente no Brasil.

A imagem da casa, como lar, coloca diante dos nossos olhos a questão do amor, da paternidade e maternidade, e da fraternidade. A casa é a residência do amor, onde se formos amados, aprendemos a amar. É o espaço do aprendizado, proteção, segurança e encorajamento. 

A Igreja é também compreendida como casa, construção de Deus: "Nós somos cooperadores de Deus; e vós lavoura de Deus; construção de Deus” (1Cor 3,9). De certa forma, a casa de Deus é a Igreja, nós, o seu povo: "Quero que saibas como proceder na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”(1Tm 3, 15). A Igreja como casa é espaço do encontro, lugar da ternura, da família, chamada a estar de portas sempre abertas.

A Igreja como casa se estrutura sobre quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Missão; que são imprescindíveis para que a Igreja seja sustentável. Se falta um, ou mais desses pilares, ocorre o desequilíbrio interno e compromete a sua presença e ação no mundo.

" A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4, 12).  A Igreja nasce e vive da Palavra e para a Palavra. Não é uma palavra qualquer, ou uma palavra entre outras, mas a Palavra de Deus. Deus que fala pela natureza, pela história, pelos sinais dos tempos, pela tradição e pela Sagrada Escritura. 

" Tal como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam antes de irrigar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, produzindo semente para quem semeia e pão para quem come, assim acontece com a minha palavra, que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará tudo aquilo que decidi, realizando a missão para a qual a enviei”( Is 55, 10-11). Como extensão à acolhida da Palavra de Deus nos sacramentos e sacramentais, a Leitura Orante da Bíblia e os encontros bíblicos da Rede de Comunidades são instrumentos importantes que ajudam na escuta e discernimento da Vontade de Deus. 

"Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1). A Igreja nasce, vive e se desenvolve em torno do Pão, isto é, dos sacramentos, dos sacramentais, dos atos de piedade e da piedade popular, da vida de oração que brota da vida e da Palavra de Deus. Não basta celebrar os sacramentos e sacramentais, é preciso rezá-los. 

Não existe Igreja sem os sacramentos, pois eles são os canais ordinários, através dos quais a graça salvadora e santificadora de Deus, em Nosso Senhor Jesus Cristo, chega até nós. É preciso construir constantemente a dimensão orante da Igreja: "É preciso superar a ideia de que o agir já é uma forma de oração. Quando confundimos agir com rezar, chegamos a abreviar ou dispensar os tempos de oração e de contemplação” (DGAEIB 97). O grande mestre da oração, nunca esqueçamos, é o Divino Espírito Santo, sem Ele não rezamos bem, como devemos fazer para que ela seja agradável ao Pai (cf Gl 4,6).

A caridade pastoral no Povo de Deus é visualização do amor misericordioso de Deus. Ela dá consistência à nossa vida de fé, torna-a consolidada, legitima-a e confere-lhe autenticidade. A sociedade está repleta de empobrecidos física, psíquica e espiritualmente. Eles se encontram em todos os lugares. É preciso encontrá-los, vê-los, senti-los, estar com eles e dispensar-lhes o amor de Deus, no modo e na intensidade que precisam deste divino amor. 

O empobrecimento, fruto da injustiça e da falta de solidariedade, vai construindo novos areópagos, repletos de carentes de todo tipo, que clamam para serem vistos, ouvidos e ajudados no amor. "Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns para com os outros”(Jo 13, 34-35). 

"Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura! ” (Mc 16, 15). A missionariedade é inerente à vida de fé. "Deus é missão: a missão vem de Deus porque Deus é amor, diz respeito ao que Deus é e não, primeiramente, ao que Deus faz”(Guia do Mês Missionário Extraordinário – 2). Da missionariedade de Deus, nasce a missão da Igreja e as missões dos fiéis. A vivência da Palavra e a vida sacramental são nascedouro da missão e, ao mesmo tempo, alimentam e sustentam as missões. 
Um Plano Diocesano de Pastoral aponta objetivo e caminhos para alcançá-lo. 

É um elemento que pode assegurar a unidade pastoral da Igreja Particular. Ele é elaborado na comunhão com a Igreja presente no Brasil, através das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, fruto do trabalho da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que é reelaborada a cada quatro anos.

À luz do Plano Diocesano de Pastoral, cada Paróquia é convidada a elaborar a sua programação anual. Ele também é referência para as pastorais, movimentos, associações religiosas e novas comunidades. Ninguém, e nenhum organismo eclesial pode subtrair-se de colocar-se dentro do contexto do Plano Diocesano de Pastoral.

Que o Imaculado Coração da Bem Aventurada Virgem Maria nos ajude na fidelidade amorosa, e a um amor fiel, a seu filho e nosso irmão Nosso Senhor Jesus Cristo. Que São José de Botas, padroeiro de nossa Catedral, nos inspire a calçarmos os tênis e os bonés da missão e das missões.






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