’Coringa’ é um dos melhores filmes do ano; veja crítica

Por: Miguel Flauzino
03/10/2019 às 16:12
Cultura e Diversão

Arthur Fleck é um homem que trabalha como palhaço durante o dia e pretende virar comediante de stand-up durante a noite, e assim ter seu devido reconhecimento. Mas, mais do que isso, ele procura reconhecimento como ser humano.

De início, a maquiagem de palhaço pintada no rosto de Fleck possui um risco azul limitando seus extremos. Mas quando colorido fica apenas de vermelho, as linhas azuis somem, definindo que não há mais limitações para seus risos.

Dirigido e escrito por Todd Phillips, o filme possui uma direção eficiente quando necessária, sem enfeites irrelevantes. O diretor utiliza seu primeiro plano para caracterizar a face de Fleck que, acompanhada de seu dente torto, cicatriz, tiques e o olho verde, funcionam intensamente. Phillips traz um cenário real e eficiente quando sujeiras e obscuridade se solidificam na Gotham dos anos 80. Ruas, lojas e até mesmo o apartamento do protagonista possuem uma fotografia escura, sem cores muito fortes. Porém, quando passado para locais de maior visibilidade (rodeada por pessoas com mais dinheiro), as cores quentes surgem. Há ainda as trilhas sempre instigando e influenciando os sentimentos do espectador.

Além disso, o roteiro de Phillips juntamente com Scott Silver consiste em uma narrativa competente e coerente. Reviravoltas e descobertas portam pesos reais, sempre valorizando a história como um todo. Cada personagem inserido possui papel ideal para o desenvolvimento do protagonista.

Interpretando o personagem principal temos Joaquin Phoenix. O ator se entrega ao papel integralmente. Usando uma dança tenebrosa como forma de expressão em vários momentos, Phoenix traz um corpo esquelético, evidenciando seus ossos e ainda auxiliado do corpo corcunda com pequenos machucados. Também, a risada – ícone do vilão –, além de trazer um incômodo pela forma de ser executada e pela repetitividade, tem uma justificativa extremamente coesa e compreensível; destaque para o esforço do protagonista para tentar não rir. Sem mais, se não é spoiler.

Ainda que perigoso por certos discursos, "Coringa" trata de um assunto arriscado quando associado à realidade. Uma breve comparação: Thanos defendia algo compreensível, mas utópico, já Coringa discursa um tema relevante, real, delicado e pesado. Perceba a cena enquanto os pobres protestam e vivem em uma euforia intensa do lado de fora e os ricos e poderosos mantêm a sua tranquilidade dentro de um palácio elegante e seguro onde conferem "Tempos Modernos”, de Charles Chaplin. Ou até mesmo quando Thomas Wayne se "comove” com a morte de três funcionários de sua empresa sem ao menos conhecê-los.

Em um momento final, é interessante perceber que herói e vilão surgem paralelamente juntos. Um rodeado por uma multidão e idolatrado, enquanto o outro nasce só, em um cenário sujo, escuro e triste. E por mais que as luzes e paredes brancas pareçam contraditórias em sua última cena, na verdade elas refletem a paz que o personagem finalmente encontrou.

Por fim, "Coringa" é um filme extremamente triste, tenebroso e muito competente. Esta obra pode e deve ser lembrada como uma das mais memoráveis deste ano.

"A pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse.” "But just smile.”


Nota: 5/5 (Excelente)






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