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Foto por: Divulgação
Com 48 anos de estrada, o prefeito reeleito para o quarto mandato, merece uma tese de mestrado sobre equilibrismo e sobrevivência política

OPINÃO: Rio Preto e o equilibrista

Por: Wilson Guilherme
21/11/2020 às 19:02
Opinião

Para Wilson Guilherme, Edinho Araújo terá de ressuscitar também o Bolsodoria de 2018


A vitória de Edinho Araújo (MDB) domingo passado, que saiu da disputa com 111.525 votos (54,84%), vencendo no primeiro turno, não é  obra do acaso. Político profissional, com 48 anos de estrada, o prefeito reeleito para o quarto mandato, merece uma tese de mestrado sobre equilibrismo e sobrevivência política.

Vejamos: em 2000, conquistou o primeiro mandato vencendo Manoel Antunes, até então seu aliado, que passou a desafeto político até o fim da vida. Naquela eleição também derrotou, entre outros, Valdomiro Lopes. Para tanto, ao perceber os ares esquerdizantes do momento, abandonou o PMDB e bandeou-se para o PPS (chamado de comunista). Compôs com o PC do B e PT, que entrou com a vice e, pasmem, Rillo, pai, foi seu secretário.

Quatro anos depois, ainda no PPS, mas com a vice do PMDB, Edinho viveu seu momento mais dramático: venceu Antunes pela segunda vez com uma margem mínima de votos, algo em torno de 1%. Se não enterrou de vez seu adversário político, colocou na vala para que outros terminassem o serviço.

Em 2008, o atual prefeito apoiou Bolçone (cria de Antunes) no primeiro  e, veja o ecletismo, Valdomiro Lopes, adversário de oito anos atrás, no segundo turno. Passados quatro anos, mesmo podendo disputar, Edinho percebeu que não dava para vencer Valdomiro, saiu à francesa e declarou apoio a Rillo, filho, ainda filiado ao PT.

Vestindo novamente a camisa do seu antigo time, o PMDB, Edinho vence as eleições de 2016, pela terceira vez, tendo como vice, Eleuses Paiva, do PSD de Gilberto Kassab.

Vinte anos depois, enfim, chegamos a 2020, quando o MDB (abriu mão do  P, em 2017) lança Edinho, com Orlando Bolçone, do DEM, de Rodrigo Garcia, de vice. Uma cor pra cada eleição, uma colcha de retalhos que foi sendo bordada.

A eleição em primeiro turno para o quarto mandato pode ter sido mais fácil do que acomodar na Prefeitura, a partir de agora, aliados de 11 partidos que ajudaram na vitória.

O prefeito reeleito vai precisar ressuscitar também o Bolsodoria de 2018, caso queira terminar as obras de duplicação da BR-153 (governo federal) e início da terceira faixa da W. Luis (governo estadual) entre Rio Preto e Mirassol, pra ficar só em dois exemplos.

Em um de seus programas eleitorais, Edinho, 71 anos de idade, apareceu em cima de uma bicicleta, pedalando. Nem me passou pela cabeça que aquilo era cena produzida pelos marqueteiros da campanha.

Acreditei na hora, afinal ali estava o maior equilibrista produzido pela corda bamba da política rio-pretense, nos últimos 20 anos.

Wilson Guilherme é jornalista







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