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Foto por: Arquivo/Agência O Globo
Pelé levanta a bola após marcar o milésimo gol da sua carreira, contra o Vasco, no Maracanã

Pelé faz 80 anos; conheça 8 cidades que marcaram a vida do Rei

Por: FOLHAPRESS - Alex Sabino
23/10/2020 às 16:17
Esportes

Três Corações, Santos, Nova York, Guadalajara, entre outras, alavancaram o mito


Pelé, que completa 80 anos nesta sexta-feira (23), nasceu em Três Corações e conquistou Nova York. Morou em Bauru, marcou seu primeiro gol em Santo André e se tornou o Rei do Futebol a partir de Santos. Fez do Maracanã, símbolo do Rio de Janeiro e ex-maior do mundo, o seu palco. Transformou um estádio em Estocolmo em atração turística e tornou os mexicanos de Guadalajara quase brasileiros.

Edson Arantes do Nascimento passará o aniversário em sua casa no Guarujá, litoral de São Paulo, com familiares mais próximos, o fiel escudeiro Pepito Fornos e alguns amigos.

Não estará presente em nenhuma das oito cidades que ajudaram a construir o maior jogador de futebol da história, mas elas permanecem no imaginário relacionado ao mito Pelé.

De acordo com Joe Fraga, empresário do ex-atleta, todas as homenagens e eventos para celebrar a data serão feitas de forma virtual.

"Eu parei de jogar há 40 anos, e as pessoas ainda se lembram de mim. Isso só pode me deixar feliz", disse Pelé à Folha em 2018. Em 2020, nada mudou.

AS JABUTICABAS DA CIDADE NATAL
O apelido Pelé nem existia quando a família do menino Edson deixou Três Corações (MG). Ele tinha três anos. Dondinho, seu pai, atacante que tinha no jogo aéreo sua especialidade, saiu do Atlético Tricordiano para jogar em São Lourenço, outro município do sul de Minas Gerais.

Quando esteve em sua terra natal pela última vez, em 2012, Pelé disse se lembrar do sabor das jabuticabas que caíam da árvore no quintal do terreno na antiga rua Treze, hoje em dia rebatizada como rua Edson Arantes do Nascimento.

A espaçosa casa que ficava no local não existe mais. Foi reconstruída a partir da memória de dona Celeste, sua mãe.

"Desenhamos tudo de acordo com a descrição dela. Assim que mostramos as fotos, quando a construção ficou pronta, dona Celeste disse: é a minha casa”, afirma o artista plástico Fernando Ortiz, que fez tantas campanhas para que a cidade abraçasse a imagem de Pelé como atração turística local que acabou se tornando amigo da família do Rei do Futebol.

Cerca de 40 mil pessoas, segundo a prefeitura, compareceram à inauguração da casa, com a presença do ex-jogador, há oito anos.

PROIBIDO DE ATACAR
Foi em Bauru (SP) que Pelé começou a chamar a atenção pelo futebol. Dondinho atuava pelo BAC (Bauru Atlético Clube), e o filho foi chamado aos 13 anos para fazer parte das categorias de base.

Segundo o livro "Pelé de Bauru”, do jornalista Luiz Carlos Cordeiro, o garoto era tão superior tecnicamente aos demais que a Liga de Futebol Amador local inventou uma regra para que o menino não desequilibrasse tanto as partidas: ele apenas poderia atuar no gol ou na zaga. Se passasse do meio-campo com a bola, seria falta para o adversário.

Hoje em dia, Bauru não tem lembranças físicas de quando o Rei do Futebol viveu na cidade. A sede do BAC não existe mais. No terreno, há um supermercado. A primeira casa que Pelé deu para os pais, na rua Sete de Setembro, no centro, foi demolida. Em seu lugar está um prédio residencial.

O garoto, já apelidado de Gasolina, foi descoberto na cidade do interior paulista pelo ex-jogador da seleção brasileira, Waldemar de Brito.

ONDE PELÉ VIRA PELÉ
Benedicta de Almeida, 74, mora no número 215 da rua Euclides da Cunha, no bairro da Pompeia, em Santos. Sempre procurada pela imprensa em datas importantes para Pelé, ela tem um receio. "Espero que ninguém tenha a ideia de tombar a minha casa”, diz.

Na residência de fachada branca, com uma bola sobre o parapeito, funcionava a pensão de dona Georgina, o primeiro lar de Pelé quando chegou à cidade para atuar pelo Santos, em 1956.

A cidade onde ele viveu de maneira ininterrupta até 1974 ainda conserva várias referências da vida do Rei do Futebol. Como a mansão na Ponta da Praia onde seu filho Edinho viveu os primeiros anos de vida. Ou os estádios da Vila Belmiro, Ulrico Mursa e Espanha, em que atuou várias vezes.

Há também o Ilha Porchat Clube, na vizinha São Vicente, onde uma tática do então presidente do Santos, Athiê Jorge Coury, garantiu a chegada do garoto ao clube.

Waldemar de Brito era funcionário público em Bauru e queria uma transferência para a capital. Ele prometeu a Coury, também deputado federal, que se conseguisse a mudança levaria para o Santos um futuro craque. Mas o então governador Jânio Quadros precisava autorizar.

O cartola do Santos aproveitou uma visita do político ao Ilha Porchat para pôr a transferência de Brito entre vários papéis que o governador tinha de assinar. E assim Jânio o fez, sem perceber.

PRIMEIRO GOL EM OUTRO CORINTHIANS
Zaluar era o terceiro goleiro do pequeno Corinthians de Santo André. Não deveria nem estar no banco de reservas. Mas contusões fizeram com que fosse escalado para enfrentar o Santos em 7 de setembro de 1956, no estádio Américo Guazzelli, na Vila Alzira.

Foi a tarde em que Santo André, no ABC Paulista, entrou na vida do garoto de 15 anos, que depois seria conhecido como Rei do Futebol. Ele fez o sexto gol da goleada santista por 7 a 1. Foi o primeiro de sua carreira.

Zaluar faturou com a fama e mandou fazer cartões em que se identificava como goleiro que sofreu o primeiro gol de Pelé.

A sede do Corinthians (batizado com esse nome em homenagem ao Corinthian-Casuals, que também deu origem ao Corinthians paulistano) continua a existir no mesmo endereço da época do amistoso de Pelé: a rua Sete de Setembro.

O MUNDO DESCOBRE PELÉ
Não foi em Estocolmo que Pelé fez seu primeiro gol em Copas do Mundo. Ele aconteceu em Gotemburgo e serviu para quebrar a retranca do País de Gales nas quartas de final. Rendeu até um livro chamado "When Pelé broke our hearts” (Quando Pelé quebrou nossos corações, em inglês), do jornalista Mario Risoli.

Mas foi na capital sueca que o garoto de 17 anos se apresentou ao mundo. Fez três gols na semifinal diante da França e mais dois na decisão contra os donos da casa. Um deles, considerado um dos mais belos da história do mundial, ao aplicar chapéu dentro da área sobre o marcador e finalizar sem deixar a bola cair.

O gramado do estádio Rasunda, ainda visitado por turistas do mundo todo por causa da primeira conquista da seleção brasileira, foi testemunha de outra imagem icônica do futebol e da vida de Pelé: o camisa 10 chorando, após a conquista do título, no ombro do goleiro Gylmar dos Santos Neves.

O ESTÁDIO MAIS ESPECIAL
O Rio de Janeiro é uma das cidades mais importantes da vida do Rei do Futebol porque o Maracanã está lá.

Foi no estádio que aconteceu a final da Copa de 1950. Dondinho ouviu a derrota da seleção para o Uruguai pelo rádio e chorou. A criança Pelé, com nove anos, prometeu ao pai que um dia daria ao Brasil um Mundial (venceu três).

O Maracanã foi palco de uma partida decisiva de Libertadores do Santos (em 1963, contra o Boca Juniors) e de três em Mundiais. Em 1962, Pelé fez dois gols no jogo de ida da decisão diante do Benfica. Em 1963, lesionado, não participou de dois épicos confrontos contra o Milan.

Foi o estádio em que anotou seu milésimo gol, em 1969. Pelé sempre disse gostar do Maracanã porque era onde as coisas davam certo para ele. Foi assim em 1963, quando o Santos perdia por 2 a 0 para o Vasco e o zagueiro Fontana o provocava, perguntando, aos gritos, onde estava o Rei.

Faltavam cinco minutos para terminar o jogo. Pelé fez dois gols e igualou o placar. Após anotar o segundo, pegou a bola e entregou para o rival. "Segura isso, Fontana. Entrega para a sua mãe. Fala que foi o Rei quem mandou."

OS MAIS BELOS GOLS QUE NÃO MARCOU
Guadalajara ainda hoje é vista por quem tem lembranças da Copa de 1970 como a cidade mais brasileira no exterior. Isso, em boa parte, por causa de Pelé.

Foi onde a seleção, com apoio da torcida local, fez 5 dos seus 6 jogos na campanha do tricampeonato. Saiu apenas para golear a Itália por 4 a 1 na decisão. Foi o último Mundial do camisa 10 com a camisa amarela.

No estádio Jalisco, ele fez três gols durante a competição. Mas além do futebol que encantou o mundo e de ter participado diante da Inglaterra daquela que é considerada por muitos a maior partida da história das Copas, a passagem de Pelé por Guadalajara reservou momentos históricos que não foram gols.

Houve o chute do meio de campo contra a Tchecoslováquia, na estreia, que passou perto da trave direita. O lance que ficou eternizado como "o gol que Pelé não fez”. Também lembrado 50 anos depois é o drible do Rei no goleiro uruguaio Mazurkiewicz, sem tocar na bola, na semifinal. O chute cruzado não entrou por milímetros.

MAIS FAMOSO QUE ROBERT REDFORD
A história entrou para o folclore de Pelé. Jogador do New York Cosmos, ele caminhou alguns metros em Manhattan ao lado do ator Robert Redford. No curto caminho até o restaurante, Redford foi parado cinco vezes para dar autógrafos. Três a menos que o brasileiro.

Foi na cidade mais simbólica dos Estados Unidos que ele fez nascer, mesmo com passagem de apenas três anos (entre 1975 e 1977), o interesse do americano pelo futebol. Foi também onde azeitou sua máquina publicitária que o faz, ainda hoje, ser um dos garotos-propaganda mais procurados do mundo do esporte.

"No meu primeiro dia como jogador do Cosmos, cheguei cedo, quis dar exemplo. Não tinha nenhum jogador, muito menos Pelé. Ele tinha passado a noite no Studio 54 e eu, idiota, fiquei sozinho no vestiário”, lembra o alemão Franz Beckenbauer, citando uma das boates mais famosas da cena novaiorquina nos anos 1970 e 1980, para mostrar que o atacante sabia aproveitar tudo o que Nova York tinha a oferecer.

Foi pelo Cosmos, em Nova Jersey, onde se localizava o antigo Giants Stadium, que Pelé se despediu do futebol profissional.







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