Em especial interativo, Kimmy Schmidt enfrenta os traumas do passado

Por: FOLHAPRESS - CAROLINA DAFFARA
08/08/2020 às 20:30
Famosos

FOLHAPRESS - Um ano após o final da quarta e última temporada de "Unbreakable Kimmy Schmidt", série de comédia criada por Tina Fey e Robert Carlock, chega na Net...

FOLHAPRESS - Um ano após o final da quarta e última temporada de "Unbreakable Kimmy Schmidt", série de comédia criada por Tina Fey e Robert Carlock, chega na Netflix brasileira um especial interativo chamado "Kimmy vs. the Reverend".
A série original conta a história de Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma mulher de 30 anos que passou metade deles num abrigo subterrâneo acreditando que o mundo tinha acabado, mas que na verdade tinha sido sequestrada com outras mulheres por um falso reverendo (John Hamm).
O episódio especial se passa após o final da série: Kimmy é uma autora rica e famosa que dias antes de se casar com um príncipe (Daniel Radcliffe, em ótima participação especial) suspeita que o reverendo ainda esconda alguns segredos e parte numa road trip.
O uso do formato interativo vem sendo focado pela empresa de streaming em programas voltados ao público infantil, como "Minecraft: Story Mode" ou "O Gato de Botas Preso num Conto Épico". As opções desse modo para adultos contam com um episódio especial de "Black Mirror" e a série "Você Radical", feita inteira nesse formato.
Em "Kimmy vs. the Reverend", o esquema "você decide" está presente no episódio todo. O espectador tem que fazer desde escolhas simples, como qual o vestido que Kimmy deveria usar no casamento, até outras mais decisivas para história.
Mas, diferentemente do programa da Globo, há caminhos que são becos sem saída e o especial coloca a audiência de volta para fazer a escolha certa, ou seja, a que vai levar a um futuro na história, quebrando a quarta parede e a reconstruindo (literalmente, em certo ponto).
De qualquer forma, vale a pena testar todas as escolhas, pois elas têm aquele gosto de "easter egg": dão informações sobre personagens que não vão ter destaque na história principal, como as outras mulheres toupeira, e detalhes divertidos sobre a história dos protagonistas, inclusive com participações de famosos apenas nesses trechos (a do Josh Groban é imperdível).
As escolhas "certas" acabam por vezes tendo um tom um pouco moralista, mas muito adequado à própria Kimmy, que manteve sua essência Pollyanna mesmo vivendo num mundo realisticamente cínico e cruel.
O episódio mantém o ritmo da série: piadas muito rápidas a todo instante, fazendo humor com assuntos tabu, dando cutucadas o tempo todo na própria indústria televisiva, tratando pautas como machismo e racismo com sarcasmo e trazendo várias participações especiais inesperadas, como basicamente tudo que tem o dedo de Tina Fey envolvido.
Um clima de encerramento permeia o episódio -não da série em si, que já tinha tido um final bem simpático-, mas da relação da personagem principal com seu passado tenebroso.
Se nas quatro temporadas Kimmy luta pra esquecer tudo pelo que passou e se reerguer, redescobrindo quem ela é e se adaptando a uma vida nova, nesse episódio, com a vida estabilizada, uma carreira de sucesso e o futuro pela frente, ela enfrenta de frente os traumas do passado e pode até ter seu momento "Kill Bill" (se o espectador permitir, é claro).

UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT: KIMMY VS. THE REVEREND
Avaliação: Muito bom
Quando: Disponível
Onde: Netflix
Produção: EUA, 2020
Direção: Claire Scanlon
Duração: 1h20

Publicado em Sat, 08 Aug 2020 20:11:00 -0300






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