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Foto por: Divulgação
Filme ’1917’ (2020)

Favorito ao Oscar, ’1917’ mostra o quanto uma guerra pode ser cruel e catastrófica; leia crítica

Por: Miguel Flauzino
21/01/2020 às 14:19
Cultura e Diversão

Parece até que ‘1917’ é uma mensagem direta de seu diretor para duas nações que atualmente beiram um conflito mundial – Irã e EUA.


Existem momentos nos quais o filme evidencia o quão destrutível e catastrófica pode ser uma verdadeira guerra. E não apenas para os dois países. Sam Mendes (diretor) ainda chama a atenção para os "patriotas nacionalistas” quando, em uma conversa entre os dois protagonistas, um questiona o outro onde está sua medalha, e ele responde dizendo que trocou por uma simples garrafa de vinho. Então seu amigo pergunta o porquê, e ele diz: "Estava com sede. E uma medalha é só um pedaço de metal”.

Com um roteiro simples – dois soldados devem entregar uma mensagem para um grupo de 1.600 homens que estão indo diretamente para uma armadilha alemã - o longa consegue criar conflitos a partir de momentos inesperados. Como quando um avião cai próximo aos protagonistas ou quando os dois entram dentro de uma base alemã abandonada e a única iluminação é a lanterna velha e fraca dos dois. E eis uma questão que traz a total afloração para todos os sentimentos do espectador: o excepcional plano sequência.

‘1917’ foi gravado inteiramente em plano sequência – claro que há cortes, mas são tão sucintos e conectados que raramente são percebidos. Contudo, esta opção é totalmente competente por trazer sentimentos claustrofóbicos no meio das trincheiras, além de evidenciar reais situações da guerra. Perceba que, quando Blake e William são gravados de frente, a câmera se abaixa e Mendes tem o prazer de mostrar as situações das trincheiras juntamente aos soldados. Já quando eles estão de costas, o céu surge e o diretor parece trazer um certo alívio para o espectador.

Não somente isso. Enquanto Blake e Schofield caminham já em terras desabitadas, o filme adora demonstrar a sujeira do chão molhado fundido a corpos em decomposição. Ou seja, em uma simples cena onde ambos andam atentos, o longa já consegue trazer aflição ao espectador. Mérito, claro, dos grandiosos e ótimos cenários.

Porém, se existe algo que incomoda nesta produção são as trilhas compostas por Thomas Newman. Mas não um incômodo que altere a qualidade final do produto. É um incômodo que raramente ocorre. Newman as vezes parece não entender o cenário e as circunstâncias do personagem. Então sua orquestra começa a alcançar uma intensidade que é simplesmente inútil, porque no final das contas ela não serviu para objetivo algum e o desfecho final daquilo proposto acaba em nada.

Diferentemente de ‘O Rei’, da Netflix, Dean-Charles Chapman (Blake) consegue ser muito melhor e entregar um personagem convincente. E não há como esquecer de George MacKay (Schofield) que está simplesmente ótimo. Seus olhos azuis, juntamente a cor da pele que parece mudar de cor conforme o filme ocorre, convencem.

Em resumo, ‘1917’ é como se fosse uma experiência em VR para o espectador. Uma viagem de volta aos tempos da Primeira Guerra mundial que é totalmente competente e eficiente.

Bem que as autoridades do Irã e EUA poderiam ver este filme o mais rápido possível.

Nota: 5/5 (Excelente)

DLNews assistiu ao filme a convite do Shopping Iguatemi Rio Preto









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