Com corte inédito de verba, Cruzeiro terá desafio nas contas de 2020

Por: FOLHAPRESS - ALEX SABINO, FERNANDA CANOFRE E DIEGO GARCIA
10/12/2019 às 18:00
Esportes

SÃO PAULO, SP, BELO HORIZONTE, MG, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Rebaixado pela primeira vez no Campeonato Brasileiro e vivendo a pior crise financeira da s...

SÃO PAULO, SP, BELO HORIZONTE, MG, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Rebaixado pela primeira vez no Campeonato Brasileiro e vivendo a pior crise financeira da sua história, o Cruzeiro estreará na Série B em 2020 como o primeiro clube grande a enfrentar o corte de verbas de TV.
A redução pode chegar a 60% do orçamento. Em um ano sem títulos nacionais, a equipe já teve queda na receita em 2019. No ano passado, R$ 185 milhões do total de R$ 322 milhões arrecadados vieram de cotas de TV.
O modelo de contrato que o Grupo Globo passou a implementar em 2019 prevê que as verbas para os fundos de TV dos clubes -tanto transmissões de TV aberta quanto na fechada- dependem da presença deles na Série A.
Pelo novo acordo, que entrou em vigor neste ano e terá validade até 2022, 40% do valor pago pela Globo é igual para todos os clubes, 30% depende do número de transmissões e outros 30% da performance do clube no campeonato. Somente quem terminar classificado até o 16º lugar recebe esse valor no ano seguinte. Os rebaixados ficam sem nada.
A mudança derrubou a cláusula conhecida como paraquedas, que valia até 2018 e garantia aos times o mesmo valor das cotas da Série A no primeiro ano disputando a segunda divisão.
Esse dispositivo ajudou outros grandes a voltarem a ficarem apenas um ano na Série B. Em 2017, o Internacional recebeu R$ 60 milhões, enquanto o Vasco ganhou R$ 100 milhões um ano antes.
Com as novas regras, times rebaixados podem optar por receber o valor fixo pago a todos na disputa (R$ 8 milhões) ou ficar com valores correspondentes à venda de jogos em pay-per-view (em 2019, cerca de R$ 30 milhões).
À reportagem o Cruzeiro disse que irá sentar com a Globo para negociar valores. Ainda sem aprovar as contas de 2018, o clube não sabe estimar a receita e o rombo da dívida que terá de equilibrar em 2020.
A cota de 2020 já terá desconto, porque em 2018 a gestão do presidente Wagner Pires de Sá pediu antecipação parcial das verbas de TV até 2022. A informação foi confirmada pelo clube.
O Profut (Programa de Modernização da Gestão de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro) proíbe antecipação de receitas referentes a períodos posteriores ao fim da gestão ou mandato corrente, exceto para percentual equivalente a 30% da receita do primeiro ano de gestão. Pires de Sá foi eleito para o período 2018-2020
Em uma projeção feita por Cesar Grafietti, consultor de finanças e gestão do esporte, o corte na verba da TV será a maior diferença em 2020.
A receita total clube deve chegar a R$ 137 milhões no próximo ano, considerando cota de TV, publicidade estável e venda de atletas igual à média da última década. O valor é equivalente a 42% da receita de 2018.
A situação do Cruzeiro é mais difícil do que a de outros grandes rebaixados, na avaliação dele, mas não chega a ser exatamente desconfortável em comparação aos rivais de 2020, já que as receitas de clubes da série B costumam girar entre R$ 50 e 60 milhões.
"A gente está falando de um clube que deve receber entre R$ 100 e 120 milhões de receita e, se vender atletas, o valor pode aumentar. Acho que a grande questão do Cruzeiro é repensar seus custos e fazer com que caibam dentro desses valores", diz Grafietti.
Um levantamento do Itaú BBA aponta que a dívida do Cruzeiro cresceu 41% de 2017 a 2018, chegando a R$ 469 milhões. Considerando débitos, a origem deles e como é feita a gestão do clube, estudo da consultoria legislativa da Câmara dos Deputados estimou que o agremiação levaria 200 anos para quitar suas dívidas.
Além de questões legais em aberto, outro ponto em discussão na reestruturação do Cruzeiro para o ano que vem será o elenco grande e caro, com nomes como Fred e Thiago Neves -afastado, o meia disse à Fox Sports que aceitaria reduzir o salário, mas Zezé Perrella, gestor de futebol, afirma que o atleta não vestirá mais a camisa do time.
A renegociação dos contratos de jogadores que tiveram altos salários neste ano na série A é um dos pontos centrais da reestruturação, segundo Perrella. Ele fez a análise logo após a derrota para o Palmeiras no último domingo (8), resultado que sacramentou o rebaixamento.
"É hora de cada um entender que o Cruzeiro não tem condição de bancar isso. Vou ter que conversar com aquelas pessoas com salário fora da realidade do clube e tentar alguma coisa, para poder recomeçar dentro da realidade", disse.

Publicado em Tue, 10 Dec 2019 17:38:00 -0300






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