Coronel Helena

Diretora de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da PM


Solitários não, solidários!

Por: Coronel Helena
14/09/2019 às 12:11
Coronel Helena

Você conhece seu vizinho? Já falou com ele alguma vez? Seus filhos brincam juntos?

As perguntas acima são tão simples, mas, estranhamente, as respostas a elas surpreendem: um número considerável de pessoas sequer sabe quem vive na residência ao lado, se tem filhos ou se trabalha fora. E muitos só tomam conhecimento de que há vida do outro lado do muro em razão de algum conflito: som alto, latido de cães, barulho excessivo no andar de cima são alguns deles. Ou por algum evento violento: um acidente, furto ou briga.

O distanciamento entre as pessoas é um fenômeno que afeta todas as relações sociais. Pais reclamam da falta de atenção, de uma visita dos filhos ou mesmo de um simples telefonema. Filhos se ressentem da falta de convívio com os pais, dos jogos, brincadeiras e ajuda no dever de casa. Maridos e esposas cobram uns dos outros maior participação nas respectivas tarefas. Amigos se saúdam com um sonoro: "Está sumido, hein!”, só para ouvir de volta um: "Ah, mas você também!” seguido por: "Rapaz, estou numa correria!”.

E aí está a grande culpada: a correria que, aliás, virou justificativa para (quase) tudo. Dividimos nosso tempo na busca por nossos ideais profissionais, que implicam em horas de estudo, metas e desafios cada vez maiores. Substituímos o velho e bom "olho no olho”, ou mesmo uma conversa por telefone, por rápidas e mecânicas mensagens por aplicativos e redes sociais. Consumimos mais, nos exercitamos menos, somos mais estressados, mais deprimidos e estamos sempre cansados. E nessa velocidade com que passamos pela vida, como encontrar tempo para tarefas simples, como ler um livro (para você ou para uma criança) ou passear na praça?

Não que a correria e o cansaço do dia a dia não sejam reais e relevantes, mas há muitas coisas reais e relevantes que merecem nosso olhar! Vou me ater a apenas uma: convívio familiar e social. O convívio saudável se estende de casa para o mundo: podemos ser pais, filhos, maridos, esposas e amigos mais presentes. E vizinhos mais solidários! O que nos conduz de volta ao tema deste artigo.

O Programa Vizinhança Solidária (PVS), da Polícia Militar paulista, vem ao encontro da ideia de que o sentimento de pertencimento social reduz a indiferença e intolerância para com o próximo e que essa mudança de atitude resgata a percepção de segurança, por meio de posturas preventivas individuais e coletivas. A própria comunidade pode tomar a iniciativa de formar núcleos de Vizinhança Solidária. Basta fazer contato com a unidade da Polícia Militar que atende seu bairro. A partir daí será identificado um líder comunitário e as pessoas interessadas em participar, voluntariamente, serão convidadas a assistir uma palestra sobre segurança e prevenção. A comunicação entre os integrantes do núcleo do PVS será feita por meio de grupo criado em aplicativo de troca de mensagens pelo policial militar que patrulha o bairro. E as ruas da vizinhança serão identificadas por placas com os dizeres: "Área vigiada pela comunidade. Comunicamos toda atitude suspeita imediatamente para a polícia.” Este programa tem tido resultados excelentes na redução de crimes e dos conflitos sociais e hoje já existem mais de 2.070 núcleos espalhados por todo o estado de São Paulo.

Recuperar a convivência nos espaços públicos nos dá outra dimensão do nosso papel social. A vida não acontece somente do portão de casa ou do trabalho para dentro. Em algum momento de nosso dia seremos motoristas e, em outros, pedestres. Seremos consumidores ou empreendedores, utilizaremos o transporte público e serviços essenciais, como coleta de lixo, escolas e postos de saúde e teremos a percepção das deficiências e possibilidades de melhoria das vias e dos equipamentos públicos. O sentimento de pertencimento melhora os relacionamentos interpessoais, é essencial para a qualidade de vida, além de que bairros bem cuidados e seguros têm maior valorização imobiliária e atraem bons investimentos.






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