Fernanda Sanson

Fundadora do movimento ambiental Muda Que a Cidade Muda


Meio ambiente e desenvolvimento

Por: Fernanda Sanson
22/08/2019 às 10:25
Fernanda Sanson

Ouvir a natureza e respeitar suas leis deveria fazer parte da mais absoluta educação dos seres inteligentes. É possível pensarmos em desenvolvimento sustentável? Como avançar no crescimento das cidades sem que isso destrua nossas riquezas naturais?

O que todos nós queremos é viver confortavelmente em nossas casas aquecidas ou refrigeradas, que não nos falte comida e bem-estar, saúde e educação. E nesse ponto teremos 100% de concordância independentemente de nossas crenças ou escolhas políticas. O que todos nós precisamos aprender é que, para construirmos nossos mundos, precisamos ajustar as rotas no sentido da sustentabilidade.

Mas o que é ser sustentável? Isso é papo de ambientalista? Ser sustentável é fazer uma conta simples como fazemos com nossas finanças. Gastou mais do que ganhou? Vai entrar no negativo e pagar juros altos por isso. Vai ficar devedor e inadimplente.

As mudanças climáticas estão aí quer você acredite ou não. O mundo está entrando em colapso, estamos exaurindo os nossos recursos naturais, vai faltar água e ar. Teoria caótica ou não, quem quer pagar para ver?

Nosso planeta azul é generoso e abundante, mas não perdoa a devastação. Entramos na fase mais estratégica de nossa existência, podemos ser responsáveis pela virada que nos levará a um novo ciclo de mais abundância, com novas tecnologias e melhores padrões de vida para todos. Mas para isso será preciso nos reeducarmos. Somos analfabetos ambientais. E teremos que nos alfabetizar com urgência. Governo, iniciativa privada e sociedade civil precisam assumir suas cotas de responsabilidade nesse processo.

Tudo importa. O papelzinho de bala jogado na rua, as latas e embalagens descartadas no lixo comum, o consumo desenfreado e não consciente, banhos prolongados, lavar calçadas, excesso de embalagens que levam 5 segundos para o descarte e 450 anos para se degradar. Nós precisamos realmente de tudo isso?

Aprendemos a cultura do "o rio leva”. E o rio não tem mais para onde levar tanto lixo e poluentes. Terceirizamos todas as nossas responsabilidades com relação ao meio ambiente.

Os agricultores antigos planejavam suas lavouras observando o sol, a lua, e as mudanças no céu. Hoje, agricultores e bichos estão perdidos em seus radares naturais. Não respeitamos os ciclos da terra. Aceleramos a produção e levamos nossos solos ao esgotamento.

E estamos vivendo tudo isso por falta de gestão. Temos tecnologia suficiente para gerir desenvolvimento e sustentabilidade. Falta gestão.

A irresponsabilidade que gera escassez.

Temos o maior patrimônio biodiverso no maior celeiro do planeta e, no entanto, 17% da Amazônia já foi destruída. Não aproveitamos nossos recursos naturais, não os valoramos com biotecnologia. Preferimos barganhar no mercado internacional nossas riquezas a investirmos em nossas mentes em pesquisas e tecnologias.

E nossa sanha de destruição está muito mais perto do que a Amazônia. Em Rio Preto destruímos mais de 50% de nossas nascentes nos últimos 20 anos. A seguir nesse ritmo de "desenvolvimento”, não restará nenhuma nascente e nem rios daqui a 15 anos.

Em nosso planejamento dos investimentos públicos que acontecerão em nossa cidade, pouco mais de 3% orçamento é destinado ao meio ambiente. O plano diretor deveria investir nas áreas verdes. Isso gera felicidade e bem-estar, saúde e qualidade no ar.

Os sinais estão todos aí. Depressão é a doença do século e os índices de suicídios estão aumentando entre nossos jovens. Precisamos descobrir a preciosidade da vida da forma mais dolorosa? Perdê-la para despertar? Podemos e devemos virar essa chave rumo à sustentabilidade do SER. É só uma questão de fazer melhores escolhas.

Ecologia, sustentabilidade e meio ambiente, aqui estão os temas que devemos enfrentar. De frente, com coragem e responsabilidade. Devemos isso à aqueles que ainda estão por vir. Garantir a manutenção da vida com qualidade e igualdade de direitos.

Não podemos deixar ninguém para trás. Podemos fazer escolhas aqui e agora que garantirão um futuro para Nosso Lar. Temos um encontro marcado com a realidade que nos cerca. Não finja que ela não exista. Se há a eminência de uma crise ambiental sem precedentes na história da humanidade, faça sua parte agora. Use suas habilidades e conhecimentos, eduque-se, mude, transforme a sua realidade se preciso for, faça o possível e faça rápido. 






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