Denise Tremura

Escritora e influencer digital


A pandemia que parou o mundo

Por: Denise Tremura
27/03/2020 às 08:39
Denise Tremura

Foi tudo muito rápido: há pouco mais de um mês a covid-19, gripe causada pelo coronavírus, tinha seu primeiro caso registrado no Brasil. Até então, parecia uma doença distante, lá do Oriente e Europa, algo que não chegaria aqui, ou se chegasse já teríamos uma cura ou vacina. Os casos foram aumentando devagar, o que nos deu a falsa sensação de controle. Agora, já não sobe mais devagar, temos todos os dias notificações de novos casos e óbitos causados pela doença que colocou o mundo em quarentena. 

        De repente, estávamos indo a supermercados estocar comida, trocando o trabalho presencial pelo home-office, comprando álcool em gel e luvas cirúrgicas para sair às ruas. As aulas das crianças foram suspensas e mães e pais tiveram que reaprender a educar seus filhos. Empresas e comércio considerados não essenciais tiveram que fechar suas portas e cá estamos, entrincheirados no único lugar seguro contra o vírus: dentro de casa. 

Apesar dos exemplos do que está acontecendo no mundo, alguns defendem que a covid-19, seja apenas uma gripe e que não é preciso essa histeria toda, já que a taxa de mortalidade é relativamente baixa se comparada a outras doenças, como a H1N1 ou mesmo a gripe comum. Então, por que a OMS colocou o mundo em quarentena e disparou alerta 4 para risco de pandemia? Por que fechar shoppings, prejudicando assim o capitalismo? Por que paralisar gravações das novelas da Globo e cancelar campeonatos de futebol no Brasil?

Os vírus chamados de coronavírus são comuns, mas esse novo agente é completamente novo e o organismo humano não tem nenhuma resistência contra ele. Além disso, pode sobreviver um tempo considerável fora do corpo (estudos indicam que em algumas superfícies, como o papelão, ele pode estar ativo por até três dias) e é aí que está a raiz do problema. Com alta capacidade de se espalhar pela população, se o vírus deixar muitas pessoas doentes ao mesmo tempo, os casos graves com necessidade de internação hospitalar e UTI podem ser muito altos e o sistema de saúde, público e privado, vai entrar em colapso. É o que vem acontecendo na Itália. Pessoas estão morrendo nos corredores dos hospitais à espera de um leito, e mortes que poderiam ser evitadas com tratamento adequado estão ocorrendo. 

O isolamento social é bom? Não. É chato ficar em casa sem poder sair? Sim. A economia vai sofrer? Muito. Porém não há alternativas para frear a alta taxa de contágio do vírus. Até que se encontre um remédio eficaz, ou vacina, o mais seguro para permanecer vivo é não se contaminar. Lavar as mãos com frequência ajuda muito, hábitos de higiene que nós brasileiros temos, como tomar banho diariamente, são úteis também. Mas a melhor forma de evitar o contágio ainda é não tendo contato com pessoas contaminadas, por isso a quarentena forçada pelos nossos governantes. 

Infelizmente o nosso presidente atual é negacionista, ou seja, não acredita na ciência e especialistas, e tem inflado a população a sair de suas casas para trabalhar e isolar apenas a população de risco para não prejudicar a economia. Essa estratégia foi utilizada na Itália há um mês, quando os casos ainda eram poucos e o surto parecia algo fácil de ser controlado. Não funcionou. Hoje a Itália é o epicentro da pandemia no mundo e os casos de mortos não param de subir. A quarentena teve que ser adotada novamente e na região de Bergamo, a última a adotar o isolamento social, os corpos são levados por carros do exército para serem cremados em cidades vizinhas porque o crematório local não consegue acompanhar a demanda. Na Espanha, pistas de patinação no gelo estão sendo usadas para conservar os cadáveres porque as funerárias estão lotadas. O caos no sistema de saúde é real e olha que estamos falando de países de primeiro mundo. 

As pessoas parecem estar cumprindo a quarentena, fazendo a lição de casa direitinho; prefeitos e governadores determinaram o fechamento do comércio, exceto bens essenciais de consumo. O isolamento social como única forma de controlar a transmissão é defendido por médicos, cientistas, governantes do G20, parlamentares, judiciário e até militares. Só o presidente que se comporta como um Napoleão de hospício e insiste em chamar de "gripezinha” a pandemia que parou o mundo. Ele quer liberar cultos religiosos, que gera aglomerações e parece estar mais preocupado com a economia (que, sejamos francos, bem antes do coronavirus já estava derretendo) do que com a vida humana. Em um país polarizado, tudo o que seu mestre falar vira verdade e por conta disso, muitos seguidores fieis de Bolsonaro endossam todas as bobagens que ele fala e faz. Por sorte, ele está isolado politicamente, porque a voz da razão conscientizou toda a equipe de governo, incluindo seus aliados, que perceberam a gravidade da situação e não estão hesitando em contrariar o presidente trapalhão. 

Ao contrário do que prega Bolsonaro, não é só uma gripezinha, um resfriadinho. É um vírus para o qual não temos nenhuma imunidade e vem fazendo sistemas de saúde do mundo todo entrarem em colapso. A incompetência do presidente vem preocupando governantes do Brasil e do mundo e a maioria das decisões está sendo tomada sem o aval dele. Pela vontade do Bolsonaro, trancaríamos os idosos e doentes dentro de casa e levaríamos vida normal. Nesse momento, contamos apenas com a sorte: sorte de encontrarem a cura, sorte do vírus não se adaptar ao calor, sorte de as pessoas tomarem consciência sozinhas do tamanho do problema e se cuidarem, permanecendo isoladas. 

É sofrido ficar trancado dentro de casa, principalmente pra quem é ativo e multitarefas, mas a quarentena tem seu lado bom: podemos ler livros, ver séries, ouvir música, conversar com as pessoas que moram na nossa casa, passar mais tempo com as nossas crianças. Podemos perceber que não necessitamos do consumo desenfreado e encontrar prazer nas coisas simples da vida. Podemos contemplar o céu e também nos entregar ao ócio e não fazer nada. Ao Estado, nessas horas, cabe prover o mínimo necessário para a sobrevivência dos seus cidadãos e zelar por eles. A Economia a gente conserta depois. Ela vai sobreviver se você sobreviver. 

Há exatamente um mês os governantes da Itália resolveram que a Economia não poderia parar e mandaram as pessoas levarem vida normal. Hoje, a Economia está parada e os italianos estão empilhando corpos. 

Nessa guerra contra o inimigo em comum, faça sua parte: lave as mãos com frequência, durma bastante e se alimente bem pra manter o sistema imunológico forte e, principalmente, fique na sua casa. O seu futuro agradece.






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