Jill Castilho

Arquiteto e escritor


Sobre adoção ❤️

Por: Jill Castilho
23/03/2020 às 10:43
Jill Castilho

Não gosto de romantizar a adoção, gosto da realidade da adoção, onde não se gera um filho e sim se conhece. Muitas vezes, em muitos textos sobre o assunto, existe sempre um idealismo, uma comparação entre filhos por adoção e filhos biológicos. Filho é filho, porém existe sim diferença entre biológicos e por adoção. 

Filhos por adoção nascem nas famílias por adoção já com suas histórias de suas famílias biológicas, relação esta rompida por traumas, as vezes por conta de maus tratos ou diversos tipos de abusos. O Filho por adoção nasce para os adotantes como consequência da dor de uma outra família. Já o filho biológico nasce apenas com sua história intrauterina, que os pais biológicos já conhecem, história da qual participaram e também fazem parte. 

Na história das famílias biológicas dos adotados, os pais, adotantes, não participaram, não conheceram as tristezas e felicidades daquela família, não conviveram com todas as circunstâncias, vivências pertencentes somente aos filhos por adoção. Por esta razão, os adotantes devem prezar, respeitar e nunca ignorar, as histórias anteriores da adoção de seus filhos, para não aumentarem as feridas. Pelo contrário, se possível ressignificar e ajudá-los a acalentar a rejeição, de forma muito natural, respeitando os limites de todas circunstâncias. 

Os pais por adoção, principalmente a adoção de crianças maiores, exercem uma paternidade e maternidade em trânsito, muito já foi ensinado ou construído. Não "moldamos” nossos filhos, nem nas famílias biológicas existe isso. Deve existir numa família por adoção flexibilidade e coração aberto; primeiro para se reconhecer como pai ou mãe, se transformando diariamente; e em segundo, o mais importante para conhecer realmente aquele ser que de agora em diante será seu filho. Deve-se entender sua personalidade, embutida nela todas as necessidades, anseios e medos, porém em outra via o educar é constante e árduo, reconstruindo valores, ressignificando momentos do passado.
 
Quatro anos depois da chegada dos meus filhos, a relação construída com eles é algo que ninguém e nada pode destruir. Toda relação é construída através do amor, inclusive com filhos biológicos. A relação da minha família também foi edificada no amor, durante o dia-a-dia, compartilhando os valores e crenças da nossa família. E assim, a confiança se estabeleceu com autoridade, respeito e cumplicidade, já a educação instruída através do exemplo. 

E todos momentos de medos, incertezas e aflições foram regidos por nossa força, coragem e amor à nossa família. Foi uma jornada solitária, minha e do meu marido, a ajuda esperada não veio, o que nos tornou mais independentes e sábios emocionalmente. 

Foram muitos momentos de incertezas, agonias, choros, discriminações. Sentimentos, as vezes, nunca antes visitados, que a paternidade por adoção nos proporcionou, dando a certeza, hoje, de que nossa fortaleza é maior do que qualquer fortuna e nossa felicidade reside no cotidiano. 

Amor é amor, imensurável e incomparável. Adoção não é fácil e também não é difícil, porém é possível, sendo apenas outro modo de ter, ou seja, de se conhecer filhos.






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