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Carlos Alexandre

Empresário e presidente do diretório municipal do PCdoB


Se empreender fosse doce e fácil, não seria só para pessoas muito especiais

Por: Carlos Alexandre
04/03/2020 às 08:23
Carlos Alexandre

Aconselhar as pessoas sempre foi muito fácil. Mas o ideal sempre é partilhar experiências, pois elas sim são um testemunho vivo do que a gente prega.

Fui chamado para falar de empreendedorismo a uma plateia em uma faculdade de Administração.  O que dizer a sequiosos estudantes prestes a começar suas vidas profissionais?

Logo eu, que carrego a contradição de ser empresário e militante político "de esquerda”.  Se bem que existe contradição maior, como ser um proletário "de direita”. 

Acrescento.  São trabalhadores todos aqueles que dependem do salário ou da retirada mensal para sobreviver.  Ricos não precisam de salário. Vivem da exploração, da especulação e de heranças.  Definitivamente não é meu caso.

Mas isso está resolvido para mim. Separo bem meus papéis.

No mundo dos negócios, por exemplo, já fui uma pessoa de várias faces.

Já fui office boy, assistente de departamento pessoal, assistente de departamento financeiro, conciliador contábil, inspetor de produção de uma seguradora, corretor de seguros, gestor de uma loja de roupas femininas da família em shopping, proprietário de escolas profissionalizantes, professor de cursos, palestrante, consultor de franquias em empresas outras, dono e fundador de franqueadoras, além de viver uma intensa vida como militante político.

Fui casado, sou pai de 3 filhos e vi em 2019 muita coisa mudar na minha vida "de novo”.

O que esses 52 anos de existência me permitiram aprender até o momento?

Que é preciso dividir as coisas muito bem. Cada uma no seu lugar.

Os papéis, como dizem psicólogos, devem ser vividos individualmente.

Pai quando se é pai, filho quando se é filho, marido quando nessa condição, militante político nas lutas justas e empreendedor quando nos negócios.

Em cada papel, 100% de dedicação e foco.  Acho que consigo fazer isso.  Nunca tive problema de desvio de atenção quando estou mergulhado numa solução ou ideia.

No quesito negócios, por exemplo, posso me considerar um homem bem-sucedido, embora tenha enfrentado diversos perrengues. 
Mas foram justamente diante desses percalços que dei a volta por cima, encontrando ou criando soluções mirabolantes e definidoras para o "próximo capítulo”. 

Sempre pude contar com a confiança de pessoas próximas e sobretudo, com a ajuda de cada um.

Trabalhar com família e amigos é importante.  É verdadeiramente bom.  Mas há que se considerar que amizades nascidas do dia a dia de um empreendimento são fortalecidas pelo objetivo comum de vencer, muito mais do que quando cerramos fileiras com algum querido.

Afinal, temos o hábito de exercer a complacência com quem amamos, exagerando no carinho, não só perdoando deslizes, como buscando não desagradar tal pessoa com atitudes que seriam drásticas em determinados cenários, mas fundamentais.

Para dar saltos então, a compreensão desses nem sempre é manifestada. Como quando precisei desistir de sonhos que eram bons.  Abandonar projetos promissores e até simpáticos, para poder dedicar forças em coisas maiores, melhores ou com resultados mais interessantes, mas que no momento estavam apenas no campo das ideias.

Bem, arriscar nunca foi problema para mim.

As constantes mudanças, substituições de agentes ou inversão de ações, revitalizam.  Fortalecem.

Sou o cara que, quando muda de ambiente, roupa ou parceiros, também muda por dentro.

Afinal, tudo está em constante mudança no universo, não é?  Nada é estático, desde a nuvem até os reflexos econômicos.  Se adequar ou se adaptar a essas variações são o que garante a sobrevivência nos negócios. Também não resisto a loucuras. Tão logo surge a oportunidade, me enfio em uma.

Investir quando a crise assusta, ousar quando todo mundo se segura, me dá adrenalina e vantagem perante a concorrência. Variavelmente, sobretudo nessas condições de pressão, a gente pode fazer cálculos errados. Mas deixa eu dizer algo sobre empreender. O problema nunca será gastar muito, investir muito, mas sim ganhar pouco, faturar pouco.  Isso deve ser digno de atenção.

Em jogadas arriscadas, já ganhei muito dinheiro e fiz gente que estava ao meu lado, ganhar também. Ah, já perdi.  E já recomecei.
"Em Roma, faça como os romanos”, alerta o dito popular.  Pois bem, num país capitalista, pense como um, mesmo que isso agrida um pouco sua ideologia política.  Afinal, antes de mudar o mundo é preciso estar vivo e ter algum tipo de força.

Nessa toada segui tentando fazer a diferença.  E foi assim, a cada virada de chave, a cada novo milagre nos negócios que angariei mais credibilidade e forças.  Pois quando desafiamos as impossibilidades, nos tornamos imbatíveis e somos respeitados até por quem não nos favorece.

Não tenho dúvidas que, vez ou outra, alguém pode ter pensado que eu não era "aquela coca cola toda”.  Sim.  Por certo já fui visto como "pouco esforçado”, ou no vulgo, "braço curto”.  O fato é que, quando estamos atolados de tarefas, pouco nos sobra para pensar, criar e montar boas estratégias.

Não foram poucas as vezes em que me recolhi em uma chácara na qual morei, cavando a terra e plantando flores em meio a uma tarde normal de semana.  Não foram poucas as vezes que tirei o dia a passear ou ficar com os filhos. Refrigérios para a mente.  Lenitivos para o coração. Energia para o espírito.

Egocêntrico, egoísta, vaidoso... já não sei mais qual o pior dos meus defeitos.  É que tenho a mania de pensar que nasci para algo muito especial.  Então, criar coisas, fatos, negócios e situações, parece ser obrigação e quando tudo está calmo ou perfeito demais, sinal que está na hora de agitar.

A luta, a batalha, a guerra, vai com certeza terminar um dia.  Seja porque acabará o motivo da briga, seja por alcançar o objetivo, ou sofrer uma derrota devastadora, sei lá.  No entanto, não será hoje ainda.  E perseverar na lida, na busca pelo sucesso empresarial, precisa ser a qualidade máxima de uma pessoa empreendedora.

Não temo repartir os louros, o comando, as decisões e muito menos os resultados financeiros.  Por vezes me apresento arrogante, típico de quem precisava ter "apanhado mais da vida”.  Mas acho que é melhor "comer pudim em grupo do que pão seco sozinho”.
Todas as boas ideias partilhei com sócios, outros empreendedores.  E ainda hoje, busco fazer isso.  Quem trabalha comigo, quem vem comigo, ou é sócio no contrato social ou fraqueado de alguma de minhas ideias.

Naufragamos juntos ou voamos juntos.  Voar é sempre melhor. Sabe por que?  Não é só altruísmo.  É que quem está na nave, não a quer ver despedaçada.  Diferente de quem assiste do lado de fora.

Estar rodeado é bom.  A solidão faz do empreendedor amargo, odiado, rancoroso.  Gente.  Eu gosto muito de gente, de pessoas que acreditam em mim.  Mas gosto mais de gente que acredita em si mesma e que reúne praticamente as mesmas qualidades que eu. 
Nisso consiste o amálgama do sucesso.  Lutar junto. Até o fim e tendo por fim, a nova empreendida.  Costumo repetir os bons parceiros, os comprometidos. Salvo quando não querem, quando não são leais ou quando não estão dispostos a "entrar junto no lago”.

Cotidianamente acordo com ideias novas.  Com soluções novas para os problemas novos.  Muitas vezes seria mais fácil permanecer em inércia ou até, em situações mais sérias, desistir.  Mas não para mim.  Se a questão é grave ou séria, atitudes graves e sérias assumindo todas as consequências por elas.  Isso fará toda a diferença.Tenho que fazer isso.  Tenho que jogar limpo.  

Ninguém consegue vencer no mundo dos negócios sem ser e parecer honesto, sincero, corajoso e dinâmico.  

Afinal, o leão ruge porque precisa mostrar que está vivo, no controle e ser temido pra sobreviver.  Muitas vezes, pelo menos nesse campo, o do empreendedorismo, ser temido é bem mais necessário que ser amado.






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