Diego Polachini

Jornalista e presidente do diretório municipal do Republicanos


Ideologia não resiste a um bolso vazio

Por: Diego Polachini
12/12/2019 às 13:21
Diego Polachini

Por mais que Rio Preto tenha uma atividade econômica diversificada, e que consiga manter os níveis de emprego estáveis, é preciso tomar cuidado com os pés de barro. Beneficiada muito mais por ser uma capital regional que pela capacidade político-administrativa de atrair investimentos de peso, nossa cidade precisa avançar no estímulo ao empreendedorismo - especialmente de base tecnológica - e na busca por empresas de alto valor agregado.

A melhora na avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) detectada pelo instituto Datafolha coincide com a leve recuperação da economia e a indicação de que ela deve continuar avançando. Por mais que o discurso ideológico seja uma espécie de "cimento social” que une as pessoas, a popularidade de um político está intimamente ligada à capacidade do pai ou mãe de família pagar as contas e viver dignamente.

Em 1991, o presidente dos Estados Unidos, George Bush, venceu a Guerra do Golfo e resgatou a autoestima dos americanos após a retumbante derrota no Vietnã. Assim, era o favorito absoluto nas eleições de 1992 ao enfrentar o desconhecido governador de Arkansas, Bill Clinton. O marqueteiro de Clinton, James Carville, apostou que Bush não era invencível com o país em recessão e cunhou a frase que virou case de marketing eleitoral: "É a economia, estúpido! ”. E Clinton venceu.

Toda discussão em torno de religião, minorias, cotas, opções sexuais e demais perfumarias vai ao chão quando falta dinheiro no bolso do cidadão. Simples assim. Tais temas até podem engajar grupos, comunidades e até mesmo uma nação, mas nada resiste às questões econômicas. Não se trata apenas de macroeconomia. A microeconomia também importa muito e os municípios precisam estar atentos a isso.

Por mais que Rio Preto tenha uma atividade econômica diversificada, e que consiga manter os níveis de emprego estáveis, é preciso tomar cuidado com os pés de barro. Beneficiada muito mais por ser uma capital regional que pela capacidade político-administrativa de atrair investimentos de peso, nossa cidade precisa avançar no estímulo ao empreendedorismo - especialmente de base tecnológica - e na busca por empresas de alto valor agregado.

A gestão atual deu alguns passos nesse sentido recentemente, porém ainda é pouco se comparado aos níveis de desenvolvimento de cidades como Sorocaba, São José dos Campos e região de Campinas.

O setor de serviços em Rio Preto é forte e imponente (porém com baixa remuneração), mas logo poderá sentir os efeitos do uso da tecnologia em substituição aos seres humanos. Um exemplo simples é o botequim Bar Ato, que fica às margens da rodovia Washington Luís. Atendentes de caixa já foram trocados por totens de autoatendimento. Em Las Vegas, nos Estados Unidos, já existem bares que, além dos totens, as bebidas são preparadas e servidas por um robô. Não há nem cheiro de gente por lá. Só o dos clientes.

Postos de combustíveis nos Estados Unidos já não têm frentistas há muitos anos. Supermercados e farmácias já começaram a eliminar operadores de caixa, inclusive no Brasil. O Super Muffato é um dos exemplos com a implantação do sistema "shop & go” em lojas da capital paulista. Não se trata do futuro. É o presente.

Entendo perfeitamente que o prefeito é uma espécie de síndico da cidade, que deve se preocupar com o trânsito, com buracos nas ruas, com abastecimento de água e outros serviços essenciais, mas ele não pode prescindir de uma postura empreendedora de olho nos investimentos empresariais na cidade.

Quando comparo Rio Preto com Sorocaba ou Campinas, argumentam que essas cidades são beneficiadas por sua localização geográfica ou pela proximidade com o porto de Santos. Não estão errados, porém nem todas as empresas instaladas nestas cidades necessariamente exportam a ponto de precisarem estar perto do litoral. Rio Preto é a porta de entrada para o Centro-Oeste brasileiro, um mercado interessante em expansão. Creio que este seja o caminho.

Do mesmo modo que a economia é determinante para o sucesso ou o insucesso de um presidente da República ou governador, estou certo de que essa pauta não ficará restrita aos andares de cima do poder. Isso porque as relações de trabalho e emprego estão mudando drasticamente e é na ponta, ou seja, nos municípios, que elas serão mais sentidas.

Ninguém está protegido. Esse debate precisa ser feito com maturidade e responsabilidade. É a economia, estúpido!






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