Antonio Baldin

Promotor de Justiça aposentado e assessor especial da Secretaria de Saúde de Rio Preto


A tragédia da favela Paraisópolis

Por: Antonio Baldin
07/12/2019 às 12:35
Antonio Baldin

Está sendo muito comentada a morte de nove jovens, durante uma ação policial, que morreram pisoteados no decurso de um baile funk, em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, no início deste mês.

O Tenente-Coronel Emerson Massera, porta-voz da Polícia Militar, afirmou que um grupo de policiais entrou na comunidade de Paraisópolis durante uma perseguição a um suposto bando de criminosos, que teria roubado motocicletas e, perseguidos, entraram no baile, onde usaram as pessoas como escudo. Segundo ele, os suspeitos atiraram na direção dos policiais e os frequentadores da festa teriam jogado pedras nos agentes.

Segundo o noticiário, o palco dos fatos foi durante um baile denominado de "pancadão”, realizado com poderosos sistemas de som de carros, que ficam estacionados ao longo de algumas das ruas estreitas da favela. Grupos de jovens se reúnem no entorno desses veículos para dançar, beber e se divertir. Parte da festa é bancada por bares e tabacarias, chegando a reunir trinta mil pessoas nas vielas e em quatro das principais ruas da favela. Há denúncias de atuação do crime organizado, que se utiliza do evento para comercializar drogas ilegais.

O triste episódio nos mostra a negligência das famílias, que se omitem na guarda e educação dos filhos, deixando-os entregues à marginalidade e, ainda, a omissão dos órgãos publico, que permitem espetáculos desse porte, sem obediência à necessária segurança.

É possível perceber que nos dias atuais a libertinagem virou regra e a independência no comportamento dos jovens se tornou mais importante que os compromissos com a legalidade e a moralidade. Enquanto os valores enobrecedores da vida humana forem desprezados, a devassidão e os maus costumes estão se habilitando para comandar vidas, e as tragédias, como a ocorrida, se tornam uma realidade.

Não se devem creditar as mortes à ação da Polícia, porque enquanto se culpam os policiais estão se esquecendo da necessidade de fortalecer os vínculos familiares e de uma melhor fiscalização dos espetáculos realizados nas vias públicas. Nossos jovens estão vivendo em ambientes carregados de ilegalidades e dominados pelas drogas, com motivação exclusiva para a depravação e desobediência. Enquanto se culpam os outros, se esquecem da correção necessária.

A estrutura familiar organizada, a firme educação dos filhos, a obediência ao comando legal de nossas leis, o predomínio do respeito mútuo, mais do nunca, estão precisando sobressair na nossa sociedade, para não mais assistirmos a dizimação inconsequente de nossos jovens. A liberdade existe, mas não podemos esquecer que a vida é feita de escolhas!






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