Raul Marques

Jornalista e escritor


O mundo é colorido

Por: Raul Marques
13/11/2019 às 13:45
Raul Marques

Na hora de fazer o dever de casa, minha filha, de 8 anos, vira em minha direção, aponta um lápis de pintar e explica olhando nos meus olhos:

- É errado dizer que essa cor é cor de pele.

Surpreso com a iniciativa, questionei o motivo da afirmação.

- Quem tiver a cor da pele negra, amarela ou qualquer outra, não vai concordar que essa cor do meu lápis é a de pele.

Mais tarde, ao refletir sobre o fato, fui tomado de uma genuína alegria ao perceber que minha filha carrega dentro de seu coração a certeza de que não somos iguais. Mais do que isso: se preocupa em agir corretamente na questão de diversidade étnico-racial.

Já sabe que o molde, muitas vezes imposto cruelmente pela sociedade, não representa todas as pessoas, com suas características, particulares, costumes e traços únicos; retrata apenas parte, nunca o todo.  

Então, se a gente insiste em dizer que o lápis é da cor da pele, vai repetir a tradição de exclusão e ser, essencialmente, injusto.

Ela nunca aceitou esse tipo de imposição e tem o olhar ainda puro para admirar as belezas à sua volta. Não é raro, na rua, apontar sua preferência por cabelos trançados ou coloridos.

Na literatura infantil, essa questão é recorrente: a maioria das histórias traz princesas, heróis ou personagens brancos, abrindo mão da diversidade que existe no nosso país.

A criançada que está fora desse modelo predominante não vai se reconhecer nos personagens, o que enfraquece a leitura, deixa de colaborar para seu desenvolvimento e não trabalha o fortalecimento de laços com sua cultura.    

A professora Luana Passos está mudando essa realidade, conforme relatou no Festival Ações Literárias (FAL), que movimentou recentemente São José do Rio Preto (SP).

Em um trabalho incansável, ela adquiriu dezenas de livros para emprestar aos seus alunos. A cada semana, eles levam alguns títulos para ler com a família.

Além das obras "tradicionais”, há também, entre outros temas, histórias com princesas negras, super-heróis africanos, cabelo crespo e diversas religiões.

Com essa iniciativa, a professora oferece a oportunidade para que os pequenos cidadãos aprendam lições valiosas de igualdade, equidade e cidadania e se enxerguem como parte fundamental das narrativas.  

A sua sala de aula tem uma janela aberta para o mundo. 






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