Alaor Ignácio

Jornalista, publicitário e escritor.


Vai passar

Por: Alaor Ignácio
22/10/2019 às 15:01
Alaor Ignácio

Essa nova bestialidade que assola o país vai passar. Tenho fé. Está aí por um desvio: o enredado acaso eleitoral, que acabou viabilizando a vitória democrática àquele que obteve 39,3% dos votos do eleitorado total. Isto é, foi uma primazia por exclusão, amparada por uma máquina eleitoreira de fake news bem remunerada e eleitores (1) apavorados, (2) mal intencionados ou (3) desavisados. 

Embora devidamente denunciada, a primeira motivação (máquina de fake news) ainda está aí atuando nos grupelhos de WhatsApp, acionada (via repasses encaminhados) por (2) mal intencionados ou (3) desavisados, que espalham estapafúrdias de nível análogo à cosmografia plana da Terra ou ao Jesus comedor de goiabas. E mais: os tais "repassadores” têm a certeza e a identificação com um Golias poderoso diante de um David que podem esmagar. Calma, bolsominions midiáticos, não se trata do Ronald Golias e nem do David Copperfield. Claro, alguém continua lucrando com a máquina, e não são vocês.

Já os eleitores então (1) apavorados na última eleição ("PT não dá, né?”, "Não podemos correr o risco do PT ficar”, "Tudo menos PT”, etc) continuam anti-petistas, o que é perfeitamente democrático, mas já enxergam a merda que fizeram. Errar é humano, mas isso não significa que carregarão a pecha de burros, por persistência.

A maioria esmagadora dos presidentes do Brasil foi de direita. Procurei e achei, foram 29, para ser exato (Deodoro, Floriano, Moraes, Salles, Alves, Pena, Peçanha, Hermes, Brás, Moreira, Pessoa, Bernardes, Pereira de Sousa, Vargas, Linhares, Dutra, Café Filho, Luz, Ramos, Kubitschek, Quadros, Mazzilli, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor). E, curiosamente, chegamos aonde chegamos mesmo sem os três últimos governantes de centro-esquerda (FHC) ou de esquerda (Lula e Dilma) e os seus cinco mandatos completos e um surrupiado.

Temo, sobretudo, pelos mal intencionados. Estes são os mesmos que buscam controlar e censurar a comunicação de massa; desrespeitam direitos humanos; destratam as questões de gênero; valorizam um nacionalismo todo próprio (que paradoxalmente autoriza a venda dos bens naturais do país); unem-se totalitariamente em guetos discriminatórios e corporativistas; enfatizam um militarismo extemporâneo; têm obsessão por uma suposta "segurança nacional” (como se ela não existisse antes desse governo); têm desprezo por intelectuais e pela cultura; e, de quebra usam ou praticam a religião como forma de manipulação. Note também: costumam falar alto, mas esse é só um detalhe.

Enfim, pra encurtar o caso, ainda temos pouco mais de três anos pela frente e uma esperança. Dez meses foram mais do que suficientes para todos enxergarem a mentira dessa corja econômica incompetente e vendilhona, a prepotência dessa máfia miliciana e o despreparo desses "escolhidos” pelo capitão afastado à reserva.






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