Coronel Helena

Diretora de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da PM


Eu queria te fazer uma canção

Por: Coronel Helena
16/10/2019 às 18:12
Coronel Helena

"Eu queria te fazer uma canção...

...que fosse linda como és lindo, oh meu Brasil!

Eu queria conseguir saber cantar

o canto puro de cantiga de ninar.

Eu queria ver-te um dia repousar

sob o efeito da canção que eu fiz para ti.

Eu queria uma canção que fosse simples como a flor.

Eu queria, oh meu Brasil, o som do amor!”

Outro dia essa singela canção surgiu em minha mente. Sabe aquelas musiquinhas que aprendíamos na escola, quando crianças? A lembrança veio forte, completa, como se tivesse aprendido no dia anterior e a murmurei baixinho, instintivamente.

Tanto tempo depois! Lembro que quem nos ensinou foi a professora Neide, da matéria Educação Artística, junto com desenho geométrico, aquarelas com tinta guache e outras artes.

Lembranças felizes de uma época feliz, apesar da vida simples e da falta de recursos financeiros. Um único e gasto par de sapatos e um chinelo "de dedo”, além das roupas herdadas do irmão mais velho eram suficientes. Os brinquedos, nós mesmos os produzíamos: estilingue, pipa, um pneu velho para rodar.

Não quero de volta esse tempo, pois já me acostumei com as facilidades atuais. Mas quero de volta o respeito, a alegria e a despreocupação. Época em que ir à escola era o ponto alto do meu dia, já que o restante do tempo seria dedicado às obrigações domésticas e ao trabalho na chácara. Dona Nilse, Dona Diva, Dona Niria e Dona Shirley eram minhas heroínas. Elas foram, respectivamente, minhas professoras da 1ª a 4ª séries e são, em grande parte, depois da minha família, as responsáveis pela pessoa que me tornei. Da mesma forma que me lembro com carinho da canção e de tantas outras lições que aprendi, nossos professores estão eternizados em nossas mentes e nas decisões que nos trouxeram ao momento atual, e o valor disso é imensurável.

De lá para cá todos nós mudamos e nem todas as mudanças foram negativas. Mudaram as gerações e novos valores ganharam relevância, enquanto tantos outros deixaram de ter importância. A falta de reverência ao professor não é necessariamente desrespeito, afinal as relações familiares também se transformaram. Já não se pede a benção, nem se beija a mão do mais velho, pai e mãe agora são tratados por "você”. Não se recepciona o professor em pé, mas muitos se sentiriam constrangidos se isso acontecesse. Claro que causa tristeza observar a deterioração das relações humanas que contaminou também o ambiente escolar.

Para aqueles que se sentem desalentados com o atual estado das coisas, há uma certeza incontestável: a importância e o poder transformador da educação continuam os mesmos! Ter isso em mente pode ser o combustível que nos falta para persistir, insistir e investir na profissão de professor, acreditar que vale a pena, pois a máxima de Pitágoras e suas variações: "Educai as crianças, para que não seja necessário punir os homens.” está mais atual que dantes.

Neste mês em que comemoramos o Dia dos Professores é importante fugir da crítica convencional, que foca na violência nas escolas e na desvalorização da categoria e pensar nos bons projetos que muitos professores reais desenvolvem e que, individualmente, promovem uma silenciosa revolução social, façanha que, às vezes, políticas públicas largamente alardeadas pelas autoridades não conseguem.

O "Prêmio Educador Nota 10” reúne iniciativas dessa natureza. O prêmio, que foi criado em 1998 pela Fundação Victor Civita, reconhece e valoriza professores da Educação Infantil ao Ensino Médio e também coordenadores pedagógicos e gestores escolares de escolas públicas e particulares de todo o país. Na edição de 2015 o vencedor do prêmio foi o Diretor da Escola de Ensino Fundamental II Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, Diego Mahfouz Faria Lima. Por meio do projeto "Minha Escola: Reconstrução Coletiva”, o educador recuperou uma escola inteiramente depredada, ao longo do ano de 2014, envolvendo a comunidade, professores, pais, funcionários e o Conselho Escolar.

Exemplos como esse existem aos milhares. Segundo as informações contidas no site do prêmio (https://fvc.org.br/especiais/o-premio/), ao longo das últimas 21 edições, foram recebidos mais de 70 mil projetos, mostrando-nos que há sim muita coragem, vontade e esforço por parte de professores que jamais perderam a fé e, sabiamente, se desviam das dificuldades, em prol do bem maior, ensinar.

"Há problemas, eu sei, mas há flores.

É Brasil minha terra, senhores!”






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