Márcio Correa

Jornalista


Um Artista

Por: Márcio Correa
13/10/2019 às 10:23
Márcio Correa

Sagrados os brancos desta sala, fatiados apenas pelo rasante amarelo e cortante das venezianas... 

Os velhos jornais empilhados ao canto, fantasmas da madeira em pré e pós-degustação, às vésperas do quase certo machê. O branco é inviolável. Altar insubmisso onde o artista despeja suas cores e curva-se ao ansioso exílio. Não há de ter contorno ou engano os limites deste quadro: ao final, tudo é apenas alvo. Apenas alvo. E a perene expectação de se encaixar a pedra imensa no cume de uma montanha mágica para que lá permaneça e descobrir-se, a cada vez, o outrora Sísifo. Apazígua-se a alma de um artista quando tem calos nas mãos e não há limo em sua rocha eterna que é apenas rolar ao além das setas da negritude e gritar, resgatar-se do sentimento frequentemente amesquinhado pelas ordens, nem sempre justas, do dia. É quando, ao seu final, ela se acomoda nesta pequena escada e reflete sobre ela própria, sobre as únicas coisas que realmente possui e como fazer para que acordem, melhorem e gritem ainda mais: "Estou aqui, mas onde estou e o que aqui está são muito maiores do que eu!”.

O smart toca... Quase oito da noite!






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