Fernanda Sanson

Fundadora do movimento ambiental Muda Que a Cidade Muda


PODAS DRÁSTICAS: Porque não fazê-las

Por: Fernanda Sanson
09/10/2019 às 13:09
Fernanda Sanson

São José do Rio Preto situa-se em um entroncamento de rodovias. Aqui é rota para se chegar ao norte do país. O fluxo de caminhões e veículos que passam por nossa cidade faz com que os índices de poluentes no ar atinjam níveis assustadores e muito prejudiciais para a saúde humana. Nossa cidade está muito próxima da zona rural, onde a predominância das lavouras de cana de açúcar como monocultura também geram graves problemas, como as queimadas que ainda persistem. Essas queimadas também emitem grande volume de material particulado na atmosfera local.

Somos a cidade com maior número de carros por habitante do Estado de São Paulo, fato esse que colabora para aumentar os índices de poluentes no ar.

Vivemos em uma região de clima seco, com altas temperaturas onde a umidade do ar se assemelha à umidade dos desertos. Os índices de exposição aos raios UV atingem níveis alarmantes. A exposição a esses raios causam câncer de pele.

Esse é o macro cenário da geografia e clima local. Ao olharmos para os índices de arborização do nosso município verificamos um volume muito pequeno de árvores na relação de árvores por habitante.

Temos em torno de 200.000 indivíduos arbóreos na cidade. Mas precisamos admitir que muitos desses indivíduos ainda estão em pequeno estágio de crescimento e sem a garantia de que sobreviverão até a idade adulta.

Temos um problema para resolver. Precisamos das árvores em nossas vidas. São elas que garantem a qualidade de vida de todos os seres.

Para que uma árvore esteja no ponto de prestar serviços ambientais de qualidade, ela precisa estar com no mínimo 5 anos de vida. Nesta fase suas copas já terão um diâmetro capaz de absorver muito CO2.  Gerarão sombra e nessas sombras filtrarão quase 80% dos raios UV, elas agem como um grande filtro solar a céu aberto. As árvores garantirão maior umidade, pois no processo de respiração as árvores transpiram até 60 litros/dia de vapores de água; minimizarão os impactos de chuvas no solo e assim diminuirão as chances de enchentes; filtrarão poluentes da atmosfera; liberarão oxigênio; absorverão ruídos; diminuirão a temperatura como um grande ar condicionado. Uma árvore é capaz de funcionar ao equivalente a 20 aparelhos de ar condicionado ligados 24 horas ininterruptamente diminuindo a temperatura em até 10ºC. Elas aumentam a biodiversidade local, servem de abrigo e alimento para pássaros e pequenos mamíferos. Esses tem um papel importante no controle de insetos como baratas, pernilongos e escorpiões. Atraem os polinizadores entre eles as libélulas que são os predadores naturais do mosquito da dengue. Elas ainda absorvem através de suas raízes um volume gigante de águas de chuvas. Cada árvore é capaz de absorver até 250 litros de água por dia. Elas são as responsáveis por reabastecer os aquíferos que estão no subsolo. Elas ainda diminuem os impactos dos ventos nas cidades, gerando uma barreira protetora.

Em um relatório feito pela organização Nature Conservancy, cientistas atestam que as árvores urbanas deveriam ser encaradas como uma importante estratégia para a melhoria da saúde pública nas cidades.

Segundo o Serviço Florestal Americano, para cada 1 dólar investido em arborização urbana, há um retorno de cerca de 8 dólares em benefícios públicos. Elas diminuem a pressão arterial dos humanos, diminuem o stress, melhoram a cognição das pessoas e geram bem-estar, embelezam a cidade e proporcionam um agradável caminhar.

Pesquisas demonstram que pessoas que caminham tendem a gastar mais nos comércios locais. Ruas arborizadas permitem o caminhar. Ter uma árvore frondosa em frente ao seu comércio, garantirá que mais pessoas parem por ali.

Para quem vive nas cidades sabe que durante o verão os centros urbanos se transformam em um grande forno a céu aberto. São as ilhas de calor, um fenômeno ligado à densidade das superfícies asfaltadas e edificadas.

E para que possamos desfrutar de todos esses benefícios é necessário que deixemos nossas árvores em paz para que cresçam e se desenvolvam.

É preciso respeitar a arquitetura das árvores. Cada uma tem sua característica. Fazer topiarismo em árvores é crime. Árvores não são quadradas e nem redondas.

A poda deve ser feita de tempos em tempos para garantir a limpeza dos galhos que podem avançar sobre telhados e imóveis, mas sempre garantindo a permanência de 75% das copas.

Só é permitido podar 25% da cobertura verde. Jamais cortar o ponteiro das árvores.

Uma poda mal feita irá comprometer a saúde integral das árvores.

Diante de tantos benefícios expostos é preciso que todos entendam que a cidade e seus habitantes têm muito a agradecer aos serviços prestados pelas árvores no ambiente urbano.

Existe uma legislação que as protege, embora nem seria preciso se todos se conscientizassem.

O coletivo Muda que a cidade Muda tem feito um esforço gigantesco para melhorar a arborização em nosso município, mas esse esforço todo será em vão se não deixarmos as copas das árvores crescerem.








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